O atual conflito no Oriente Médio tem levado agentes da cadeia avícola brasileira a acompanhar com atenção os possíveis impactos sobre o comércio internacional de carne de frango. A região foi responsável por quase 25% das exportações brasileiras da proteína em 2025, segundo dados analisados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Entre os principais destinos da carne de frango brasileira estão Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, que ocupam, respectivamente, a primeira e a terceira posição entre os maiores compradores do produto nacional.
Informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam que, apenas em 2025, mais de 877 mil toneladas de carne de frango foram exportadas para esses dois mercados.
Diante do agravamento das tensões na região, agentes consultados pelo Cepea relatam preocupação com a possibilidade de suspensão de novos agendamentos de embarques destinados ao Oriente Médio.

O cenário se torna ainda mais complexo diante do envolvimento de países vizinhos no conflito, incluindo Catar, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Líbano, o que amplia as incertezas sobre a continuidade das rotas comerciais.
Outro fator que tem chamado a atenção do mercado é o anúncio do fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, divulgado no início da semana. A rota marítima é considerada estratégica para o comércio internacional e viabiliza o transporte de mercadorias para diversos países da Península Arábica.
Diante desse contexto, parte dos agentes avalia a possibilidade de realocar a carne de frango para outros mercados internacionais, principalmente porque os países do Oriente Médio costumam importar volumes expressivos de frango inteiro produzido no Brasil.
No entanto, especialistas destacam que essa alternativa enfrenta desafios logísticos, legais e sanitários, que podem dificultar a redireção imediata das exportações.
Caso as vendas externas sejam significativamente impactadas, parte da produção destinada ao mercado internacional pode ser absorvida pelo mercado interno brasileiro. Essa alternativa, porém, também exigiria ajustes por parte da indústria, como mudanças em embalagens e rotulagem dos produtos.
Fonte: Cepea, adaptado pela equipe Feed&Food
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