A crescente incidência de quadros respiratórios complexos em sistemas suinícolas altamente tecnificados tem exigido uma revisão profunda das estratégias de prevenção e controle adotadas no campo. Para compreender melhor as causas, as interações patogênicas e os impactos econômicos associados à pneumonia enzoótica e à coinfecção entre Circovírus Suíno tipo 2 (PCV2) e Mycoplasma hyopneumoniae, duas das principais referências brasileiras em sanidade suínas oferecem uma leitura técnica e atualizada do cenário.
A médica-veterinária Karine Ludwig Takeuti, professora adjunta da Universidade Feevale e especialista em doenças respiratórias, observa que “as falhas de manejo, especialmente nos processos envolvendo leitoas de reposição, permanecem como um dos pilares que sustentam a persistência da pneumonia enzoótica”. Já Janice Reis Ciacii Zanella, pesquisadora da Embrapa Suínos e Aves e Ph.D. em Virologia Molecular, enfatiza que “a presença endêmica do PCV2 e sua capacidade imunossupressora intensificam a gravidade dos quadros respiratórios e ampliam perdas silenciosas na produção”.
Nos sistemas produtivos atuais, múltiplos fatores se somam para manter elevada a incidência de pneumonia enzoótica, mesmo em granjas que seguem programas vacinais consolidados. Segundo Karine, muitos desses desafios têm origem nas práticas relacionadas às leitoas de reposição. “Ainda observamos, no Brasil, a entrada de leitoas positivas para Mycoplasma hyopneumoniae, muitas vezes portadoras de variedades distintas daquelas que circulam na franja de destino”, explica. Além do status sanitário, ela destaca que a idade de entrada e os protocolos de aclimatação — tanto para animais negativos quanto positivos — são frequentemente negligenciados. Essa combinação favorece a exposição precoce dos leitões ao agente, muitas vezes ainda na lactação, abrindo caminho para manifestações clínicas durante a terminação e perpetuando erros de manejo ao longo de todo o ciclo reprodutivo.
Leia a matéria completa na edição 224 da revista Feed&Food.

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