Felipe Machado, de Patos de Minas (MG)
Caroline Mendes, da Redação
Na FENAMINAS 2025, o economista e fundador da Pátria Agronegócios, Matheus Pereira, trouxe uma análise contundente e estratégica sobre os principais fatores que moldam o mercado de grãos, com foco especial em soja, milho, dólar, política e clima. A palestra, intitulada “Desafios e Oportunidades no Mercado”, destacou os riscos e as oportunidades para produtores e tomadores de decisão diante de um cenário global instável.
Com base em ciclos históricos de clima e preços, Matheus mostrou que o agronegócio vive hoje um período de “calmaria” nos preços, após uma sequência de crises marcadas por distorções climáticas e geopolíticas. A expectativa é de que essa estabilidade dure até o fim da década, mas não sem volatilidades.
Segundo o especialista, o atual padrão climático indica neutralidade no fenômeno El Niño/La Niña para a safra 2025/26 — um cenário semelhante ao observado em 2017. Isso, aliado à alta saúde vegetal das lavouras, impulsionou a produção brasileira de soja para um patamar recorde de quase 170 milhões de toneladas, 14% a mais do que no ciclo anterior. Ainda assim, Pereira alertou que os estoques finais são o dobro dos registrados no ano passado, o que pode pressionar os preços.
Dólar pesa mais que Chicago
Matheus também chamou atenção para o peso do dólar na formação dos preços da soja no Brasil. “Hoje, o câmbio tem mais impacto no preço da saca do que a Bolsa de Chicago”, afirmou. A volatilidade cambial, segundo ele, é influenciada principalmente pela desconfiança de investidores internacionais com o cenário político e fiscal do Brasil.
Desde 2021, o país tem sido o destino com maior evasão de capital especulativo no mundo. A perda de confiança no governo atual, o aumento da dívida pública e mudanças tributárias, como a reintrodução do IOF, afastam investimentos e pressionam o dólar para cima.

A demanda chinesa por soja segue forte, impulsionada pelo crescimento do consumo per capita de proteína animal. A China responde por mais de 60% das importações globais da oleaginosa, sendo o Brasil o principal fornecedor. A recente retomada da suinocultura no país asiático eleva a perspectiva de exportações brasileiras, apesar dos estoques chineses ainda estarem 14% abaixo do ano anterior.
Nos Estados Unidos, a disputa comercial com a China se intensificou após a reeleição de Donald Trump, que implementou tarifas mais altas sobre produtos chineses e brasileiros. O Brasil, por sua vez, já anunciou que pode aplicar a “lei da reciprocidade” caso as tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros cheguem a 50%, conforme previsto para 1º de agosto.
Milho: super safra e atenção ao curto prazo
No mercado de milho, o alerta de Matheus foi direto: apesar do crescimento da demanda interna, principalmente para etanol, a forte oferta no Brasil e nos Estados Unidos pode gerar uma “sangria” nos preços no curto prazo. A safra brasileira deve alcançar 135 milhões de toneladas, enquanto a norte-americana se aproxima de 400 milhões, com qualidade considerada recorde.
Encerrando sua apresentação, o palestrante destacou que as eleições brasileiras de 2026 serão um marco para o mercado. “O mercado vai começar a se posicionar já no início do ano que vem”, afirmou. A expectativa de um candidato mais austero ou moderado
LEIA TAMBÉM:
Conbrasul: Exportação e integração pautam futuro do ovo brasileiro
Especialista destaca riscos e desafios da biosseguridade na avicultura brasileira




