A carne suína perdeu competitividade frente às principais proteínas concorrentes na parcial de junho, mesmo em um cenário de demanda aquecida por cortes suínos. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a pressão vem dos estoques elevados da indústria, que limitaram a reação dos preços da carcaça especial suína na Grande São Paulo.
De acordo com o Cepea, o preço médio da carcaça especial suína comercializada na praça paulista apresenta queda no acumulado parcial do mês. Na quarta-feira (24), o indicador da carcaça suína especial ficou em R$ 8,60/kg, estável no dia e com recuo de 0,35% no mês, conforme dados do Centro de Pesquisas.
Concorrentes recuam mais
Apesar da queda nos valores da carne suína, o movimento foi menos intenso que o observado nas duas principais concorrentes acompanhadas na mesma praça: a carcaça casada bovina e o frango resfriado. Com baixas mais fortes nessas proteínas, a carne suína perdeu espaço relativo em termos de competitividade.
Segundo pesquisadores do Cepea, esse cenário interrompe uma sequência de oito meses consecutivos de ganhos da carne suína frente à carcaça bovina e de dois meses de avanço em relação ao frango resfriado. A mudança indica que, mesmo com procura firme, o preço relativo da proteína suína ficou menos atrativo ao consumidor e ao mercado.

Demanda não sustenta alta
A demanda por cortes suínos está elevada em junho, impulsionada pelas festividades típicas do período e pelo clima mais frio em parte das regiões do País. Esses fatores costumam favorecer o consumo da proteína, especialmente em preparos associados ao inverno e às festas juninas.
No entanto, os estoques elevados da indústria impediram que a maior procura se traduzisse em valorização da carcaça especial. Com oferta disponível, os preços seguiram pressionados, limitando a recuperação do setor no mercado interno.

Suíno vivo tem movimentos distintos
No mercado do suíno vivo, os dados do Cepea de 24 de junho mostram comportamentos diferentes entre as praças acompanhadas. Em Minas Gerais, o indicador posto ficou em R$ 5,92/kg, com queda diária de 0,34%, mas avanço de 5,34% no mês. Em São Paulo, também na modalidade posto, o valor permaneceu em R$ 5,29/kg, estável no dia e com leve recuo mensal de 0,19%.
Nas praças a retirar, o Paraná registrou R$ 4,65/kg, com queda de 1,48% no dia e no mês. No Rio Grande do Sul, o indicador ficou em R$ 5,02/kg, com recuo diário de 0,20% e baixa mensal de 1,95%. Em Santa Catarina, o valor foi de R$ 4,99/kg, queda de 0,20% no dia, mas alta de 2,04% no acumulado do mês.
O cenário reforça um momento de atenção para a suinocultura, com demanda favorecida pelo período sazonal, mas preços limitados pela disponibilidade de produto e pela concorrência com outras proteínas. Para os próximos dias, o comportamento dos estoques e o ritmo de consumo devem seguir determinantes para a formação dos preços.
Fonte: Cepea, adaptado pela equipe Feed&Food
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