A Semana Nacional da Carne Suína voltou a colocar o varejo no centro da estratégia de crescimento da proteína no Brasil. Durante o evento, representantes da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) destacaram que o avanço do consumo interno depende de informação, melhor exposição nos supermercados e comunicação mais próxima do consumidor.
O movimento ocorre em um momento de transformação para a suinocultura brasileira. Além do crescimento nas exportações, o setor busca consolidar a carne suína como uma opção presente no dia a dia das famílias, com apelo de versatilidade, sabor e custo-benefício.
Consumo muda de patamar
Segundo Iuri Pinheiro Machado, consultor de mercado da ABCS, a suinocultura brasileira ganhou espaço no mercado internacional e reduziu a dependência de destinos específicos. Em entrevista exclusiva à Feed&Food, ele afirmou que o setor conseguiu ampliar e diversificar os embarques nos últimos anos.
“Nós éramos muito dependentes da China, já não somos mais. A gente conseguiu estruturar bem esse mercado de exportação. E, no mercado doméstico, já ultrapassamos a marca de 20 quilos per capita ao ano, principalmente nos últimos anos, com uma consolidação do consumo regular na mesa do consumidor”, destacou.
Durante a palestra, Iuri também avaliou que as exportações têm papel importante para sustentar o crescimento da cadeia produtiva. Apesar disso, ponderou que o momento ainda exige atenção, especialmente diante de preços pressionados e ajustes na oferta.

Varejo ganha papel estratégico
A presença da carne suína no ponto de venda foi um dos principais pontos discutidos no encontro. Para Lívia Machado, estrategista de mercado, marketing e posicionamento do agronegócio, o avanço da proteína no varejo passa por uma abordagem mais integrada, sem a necessidade de disputar espaço diretamente com outras carnes.
“O que a gente faz hoje é se aproximar do varejo e não querer ganhar o espaço de outras proteínas, mas sim agregar e trazer a carne suína também como uma proteína, tanto para o dia a dia quanto para as ocasiões especiais”, afirmou Lívia.
A estratégia busca reforçar a carne suína como alternativa acessível, versátil e alinhada às novas demandas de consumo. Entre os pontos observados estão praticidade, saudabilidade, conveniência e melhor apresentação dos cortes ao consumidor.

Informação como caminho para crescer
Para Marcelo Lopes, presidente da ABCS, a evolução do mercado depende também de um trabalho contínuo de educação. Segundo ele, ainda há percepções equivocadas sobre a carne suína, inclusive entre consumidores e profissionais que atuam diretamente no varejo.
“O que a gente precisa é estar focado, primeiro, na educação do nosso povo, mostrando que nós temos um produto de alta qualidade. Esse evento da Semana Nacional serve muito para isso. A gente passa informação para os colaboradores das redes, e os próprios colaboradores têm algum tipo de preconceito”, afirmou.

Marcelo destacou ainda que a desmistificação da proteína pode impulsionar novos recordes de consumo no país. “Quando a gente desmistificar a carne suína, eu não tenho dúvida. Nós temos preço, nós temos qualidade e, sabendo da origem, a gente vai bater recordes de consumo per capita”, completou.
A Semana Nacional da Carne Suína reforça, assim, uma agenda que combina mercado, comunicação e varejo. A proposta é transformar informação em consumo, aproximando a cadeia produtiva dos supermercados e do consumidor final.
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