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Bem-estar animal avança nas cadeias de aves, suínos e bovinos no Brasil

Relatório da COBEA aponta evolução gradual no setor e destaca oportunidades para ampliar práticas sustentáveis na produção de proteína animal

O bem-estar animal tem avançado de forma gradual nas cadeias brasileiras de aves, suínos e bovinos, mas ainda enfrenta desafios ligados à padronização, mensuração e adoção em diferentes sistemas produtivos. A avaliação faz parte do relatório “Bem-Estar Animal na Cadeia Produtiva Brasileira – Evolução e Ambições para o Futuro”, desenvolvido pela Colaboração Brasileira de Bem-Estar Animal (COBEA).

O documento reúne um mapeamento sobre a evolução do tema no país e aponta oportunidades para ampliar práticas de bem-estar animal na cadeia de proteína animal. A análise considera avanços no campo, na pesquisa científica, em políticas empresariais e em iniciativas públicas, além de destacar a necessidade de maior coordenação entre os diferentes elos da cadeia produtiva.

Segundo Elisa Tjarnstrom, diretora-executiva da COBEA, o cenário brasileiro ainda apresenta diferenças importantes entre espécies, sistemas produtivos e regiões. “O bem-estar animal na cadeia produtiva no Brasil está em constante avanço, porém é uma questão multifacetada e difícil de mensurar”, observa.

Avanços ocorrem em ritmos diferentes

De acordo com Elisa, as informações disponíveis hoje indicam um panorama heterogêneo. “Essas estimativas se baseiam principalmente em relatórios setoriais, compromissos corporativos, certificações voluntárias e estudos pontuais, não havendo um levantamento nacional único e padronizado que cubra toda a base produtiva”, afirma.

A diretora-executiva destaca que cadeias mais organizadas, lideradas por empresas com compromissos públicos e maior capacidade de investimento, têm avançado de forma mais estruturada. “Entretanto, uma parcela significativa da produção ainda está fora dessas iniciativas, o que resulta em um panorama nacional marcado por grande diversidade de práticas e ritmos de adoção”, aponta.

Avicultura e suinocultura concentram oportunidades

Na avicultura de postura, o relatório aponta crescimento de sistemas alternativos às gaiolas convencionais, como cage-free, caipira e orgânico. O levantamento também identifica oportunidades na transição para modelos sem gaiolas, com necessidade de maior alinhamento entre produtores e compradores, além de padronização, auditoria independente e mecanismos de financiamento.

Na produção de frango de corte, o documento destaca avanços graduais em práticas relacionadas ao enriquecimento ambiental e à ambiência, sobretudo em cadeias integradas e empresas de maior porte. Ainda assim, a cobertura nacional de granjas auditadas de forma independente permanece limitada.

Na suinocultura, o relatório aponta evolução em sistemas de alojamento, com destaque para a gestação coletiva e o início da adoção de maternidade livre de gaiolas. Segundo a COBEA, cerca de 45% das matrizes já estão em baias de gestação coletivas e 62% do plantel está comprometido com essa transição.

Suínos em sistema de alojamento coletivo, prática que vem ganhando espaço nas discussões sobre bem-estar animal na cadeia produtiva brasileira. Crédito: Reprodução

Bovinocultura exige atenção ao manejo

Na bovinocultura de corte, a predominância de sistemas extensivos a pasto costuma ser associada a condições favoráveis de espaço e expressão de comportamentos naturais. Ainda assim, o bem-estar pode variar conforme manejo, qualidade das pastagens, confinamento, transporte e práticas adotadas nas etapas finais de engorda e abate.

Na produção leiteira, a diversidade de sistemas dificulta estimativas agregadas. O relatório aponta crescimento de modelos mais intensivos e tecnificados, como o compost barn, que podem oferecer melhores condições de conforto quando bem manejados. Ao mesmo tempo, sistemas a pasto seguem presentes em diferentes regiões, com níveis de bem-estar variados conforme clima, manejo e investimento.

Cadeia precisa atuar de forma coordenada

Para a COBEA, o avanço do bem-estar animal depende de maior colaboração entre produtores, processadores, varejo, food service, pet food, setor financeiro, certificadoras e poder público. A entidade avalia que iniciativas isoladas tendem a ter impacto limitado, enquanto ações coordenadas podem gerar escala, estimular inovação e consolidar boas práticas.

Elisa reforça que a análise dos sistemas produtivos deve ir além de respostas pontuais. “O bem-estar animal pode, muitas vezes, contar com soluções simples e centradas nos próprios animais; ao mesmo tempo, alguns desafios exigem abordagens de longo prazo e a adoção gradual de novas práticas”, afirma.

Segundo ela, o avanço real depende de alinhamento entre expectativas e ambições dos diferentes elos da cadeia. “Nossas recomendações visam justamente apoiar esse alinhamento e ajudar os setores a trabalharem com mais eficiência na implementação de boas práticas”, finaliza.

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