A 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, realizada em Capão do Leão (RS), colocou a Indicação Geográfica (IG) da Carne do Pampa Gaúcho no centro das discussões sobre competitividade da pecuária regional. O debate evidenciou que ampliar a rastreabilidade e qualificar o rebanho são passos considerados estratégicos para inserir a carne gaúcha em nichos de maior valor agregado.
Com aproximadamente 90% da pecuária de corte do Estado concentrada no Bioma Pampa, em uma área estimada em 18 milhões de hectares, representantes do setor defendem que o diferencial ambiental e histórico da região ainda é pouco explorado como instrumento de posicionamento no mercado. A tradição da atividade no território ultrapassa quatro séculos, mas, segundo participantes do painel, a carne ainda é comercializada majoritariamente por volume, e não por padrão premium.
Durante o encontro, lideranças da Associação dos Produtores de Carne do Pampa Gaúcho (Apropampa) ressaltaram que o avanço da rastreabilidade é condição fundamental para acessar mercados internacionais mais exigentes. A proposta envolve qualificação genética, padronização de critérios e cumprimento de requisitos mínimos de desempenho, incluindo peso de carcaça de pelo menos 210 quilos para machos e fêmeas dentro dos programas de certificação.

Pesquisadores presentes no painel reforçaram que o consumidor global tem ampliado a exigência por informações claras sobre origem, sustentabilidade e qualidade do produto. Comparações com outros Estados brasileiros indicam que o Rio Grande do Sul precisa avançar em eficiência produtiva e manejo para elevar o peso médio de carcaça e melhorar indicadores de competitividade.
Representantes da indústria frigorífica destacaram que, embora a carne gaúcha seja reconhecida por atributos como genética e certificação, o Brasil ainda é percebido internacionalmente principalmente como fornecedor de grande volume. A consolidação da Indicação Geográfica é vista como ferramenta para mudar essa percepção e fortalecer a presença em mercados que remuneram diferenciação.
O debate integra um contexto mais amplo de reorganização estratégica da pecuária nacional, em que rastreabilidade, padronização e transparência passam a ser fatores centrais para garantir acesso a destinos como Europa, Ásia e Oriente Médio. A ampliação de sistemas de identificação individual e comprovação de origem é apontada como tendência irreversível para quem busca maior valor por animal.
Com o tema “Cenário atual e perspectivas: conectando campo e mercado”, o evento reuniu produtores, pesquisadores e entidades do setor, reforçando a discussão sobre como transformar atributos regionais em vantagem competitiva sustentável para a carne bovina brasileira.
Fonte: Organização da 36ª Abertura da Colheita, adaptado pela equipe Feed&Food
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