Os preços da carne bovina seguem em alta no mercado interno e atingiram patamar recorde no atacado da Grande São Paulo em abril. De acordo com dados do Cepea, a valorização é impulsionada pela combinação entre oferta limitada de animais prontos para abate e demanda externa aquecida.
Na parcial do mês (até o dia 20), a carcaça casada bovina registrou alta de 4%, sendo negociada a R$ 25,41 por quilo à vista. O indicador reflete o comportamento do mercado em um período de menor disponibilidade de gado terminado.
Oferta restrita sustenta preços
Segundo pesquisadores do Cepea, a escassez de animais para abate tem sido um dos principais fatores de sustentação das cotações. A menor oferta reduz a pressão de venda e mantém o poder de negociação nas mãos dos pecuaristas.
Esse cenário ocorre em um momento de ajuste no ciclo pecuário, com retenção de fêmeas e menor volume de animais disponíveis no curto prazo.

Demanda externa reforça valorização
Além da oferta limitada, o mercado internacional segue como importante vetor de sustentação dos preços. A demanda externa aquecida contribui para escoar parte da produção e reduzir a disponibilidade no mercado doméstico.
Esse movimento amplia a competição pela matéria-prima e reforça a tendência de valorização da carne bovina no atacado.
Recorde histórico em termos reais
Considerando os valores deflacionados pelo IGP-DI de março de 2026, a média da carcaça casada bovina na parcial de abril atingiu R$ 25,05 por quilo, o maior patamar real da série histórica do Cepea, iniciada em 2001.
O valor representa aumento de 11% em relação a abril de 2025 e avanço expressivo de 44,8% na comparação com abril de 2024.

Cenário segue firme no curto prazo
A tendência é de manutenção dos preços firmes no curto prazo, diante da continuidade do cenário de oferta restrita e demanda consistente. O comportamento do mercado dependerá da evolução do ciclo pecuário e do ritmo das exportações.
Enquanto isso, o setor segue operando com margens pressionadas ao longo da cadeia, especialmente no varejo, diante do repasse dos preços mais elevados.
Fonte: Cepea, Adaptado pela equipe Feed&Food
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