Em Mogi Mirim (SP), a Canto Porto consolidou em poucos anos um modelo de produção de leite que combina escala, tecnologia e governança coletiva. A propriedade, adquirida pela família em 2016, deixou para trás um cenário inicial de pouca estrutura e, em menos de uma década, consolidou um projeto confinado com foco na raça Holandesa. A transformação foi além da técnica: passou por decisões de gestão, investimentos em infraestrutura e por uma cultura organizacional orientada ao trabalho em equipe. A produção saltou de cerca de 2 mil litros por dia nos primeiros passos do projeto para 80 mil litros atualmente, uma evolução que reposicionou a operação e acelerou planos de crescimento.
A opção pelo Holandês e pelo sistema confinado, tomada entre 2018 e 2020, marcou o roteiro de investimentos, quando as obras concluídas em 2022 deixaram a operação pronta para rodar em escala. Hoje a fazenda abriga cerca de 5.300 cabeças, com 2.100 vacas em lactação, ordenha em carrossel com 50 postos e um conjunto tecnológico que integra colares com inteligência artificial, câmeras como o CattleEye para análise de locomoção e sistemas de monitoramento sanitário e reprodutivo. O manejo de volumosos é majoritariamente produzido na própria fazenda, com milho e alfafa que garantem base nutricional e previsibilidade ao sistema.
A Canto Porto investe em integração de dados como peça-chave da operação. Um software proprietário está em desenvolvimento para reunir sinais da ordenha, do bezerreiro, da nutrição e da agricultura em dashboards acionáveis, reduzindo perda de informação e tornando decisões mais ágeis. “O risco de perder informação é enorme quando os sistemas não conversam entre si. Estamos criando uma ferramenta única para que tudo esteja conectado”, diz a equipe técnica. Paralelamente, práticas de sustentabilidade avançam de modo articulado: energia fotovoltaica, reaproveitamento de águas pluviais, substituição gradual de insumos químicos por biológicos e uso de dejetos como fertilizante na lavoura, com mais de três mil mudas plantadas para recuperar áreas e gerar serviços ecossistêmicos.
Leia a matéria completa na edição 224 da revista Feed&Food.

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