O início de 2026 recoloca o câmbio como fator determinante nas decisões comerciais do produtor rural. Com o dólar próximo de R$ 5,20, o real mais valorizado influencia diretamente a formação de preços da soja e do milho, além de impactar custos de insumos e a rentabilidade das lavouras.
A combinação de juros elevados no Brasil, inflação sob controle e maior previsibilidade da política monetária tem atraído capital estrangeiro e sustentado a moeda brasileira. Esse cenário, embora positivo para a economia, cria desafios para produtores que dependem das exportações.
Segundo a analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, Isabella Pliego, o real mais forte reduz o valor recebido em reais por cada dólar exportado. Mesmo com as cotações internacionais relativamente estáveis, o efeito cambial limita os ganhos e pressiona a margem do produtor, principalmente na soja.

A paridade de exportação da oleaginosa permanece em níveis baixos, entre R$ 95 e R$ 100 por saca em regiões relevantes, resultado da combinação entre preços em Chicago próximos de US$ 11 por bushel, prêmios reduzidos e câmbio menos favorável.
A pressão sobre a renda se intensifica diante do aumento dos custos de produção, que subiram entre 7% e 10% em relação à safra anterior. Ao mesmo tempo, os preços atuais estão cerca de 10% abaixo dos registrados no mesmo período do ano passado, reduzindo a capacidade de absorção de riscos.
Nesse ambiente, a estratégia comercial tende a ser mais defensiva. A orientação é combinar vendas parciais, escalonadas e o uso de instrumentos de proteção de preço e câmbio para preservar caixa e flexibilidade ao longo do ciclo.

No caso do milho, a dinâmica é distinta. O crescimento do consumo interno, impulsionado pelas cadeias de proteína animal e pelo etanol de milho, mantém os preços domésticos frequentemente acima da paridade de exportação, reduzindo a dependência direta do câmbio.
O risco maior para o cereal aparece em cenários de safra volumosa, quando a oferta supera a demanda interna e pressiona as cotações. Ainda assim, o mercado doméstico segue como principal fator de sustentação.
Para o primeiro semestre, a colheita amplia a oferta e tende a pressionar preços. Já no segundo semestre, a retomada do protagonismo das exportações e a influência do clima nos Estados Unidos podem abrir novas oportunidades comerciais.
O cenário reforça a importância da leitura de ciclo e da gestão de risco. A recomendação é equilibrar liquidez e flexibilidade, garantindo parte das vendas para sustentar o caixa e mantendo volumes disponíveis para aproveitar movimentos favoráveis do mercado ao longo do ano.
Fonte: Biond Agro, adaptado pela equipe Feed&Food
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