A intensificação do calor no verão brasileiro reacende o alerta para os impactos climáticos sobre a produção de proteína animal. Em 2025, as temperaturas ficaram acima da média em grande parte do país, e os primeiros meses de 2026 mantêm o padrão de ondas de calor associadas a maior variabilidade climática. O ambiente favorece a multiplicação de vírus, bactérias e vetores, elevando o risco sanitário nas propriedades rurais.
O cenário pressiona especialmente as cadeias de bovinos, aves e suínos, cuja competitividade internacional depende de controle sanitário rigoroso. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), mostram que o Brasil embarcou 3,5 milhões de toneladas de carne bovina em 2025, recorde histórico. A manutenção desse desempenho está diretamente ligada à capacidade de prevenir ocorrências sanitárias.
O estresse térmico provocado por temperaturas elevadas compromete o desempenho dos animais, reduz ganho de peso e conversão alimentar, além de aumentar a suscetibilidade a doenças. Paralelamente, o calor favorece a carga microbiana em instalações, veículos e equipamentos, ampliando o risco de contaminações ao longo da cadeia, inclusive no transporte.

Especialistas apontam que a resposta precisa ir além de medidas pontuais. Segundo o engenheiro eletricista Vinicius Dias, com especialização em Qualidade da Energia Elétrica, eventos climáticos extremos aceleram a multiplicação de patógenos e exigem padronização mais rigorosa dos processos. “As altas temperaturas ampliam a pressão sobre todo o sistema produtivo. A adoção de tecnologias de monitoramento permite maior controle e rastreabilidade das etapas críticas”, afirma.
Sistemas automatizados de biossegurança têm sido incorporados para monitorar limpeza de veículos, desinfecção de equipamentos, circulação de pessoas e controle de temperatura em ambientes produtivos. A digitalização desses procedimentos gera registros auditáveis, cada vez mais valorizados por mercados como União Europeia, China e países do Oriente Médio.
Com verões mais quentes e maior frequência de eventos extremos, a gestão sanitária passa a ocupar posição estratégica na pecuária brasileira. A adoção de práticas preventivas contínuas e integradas se consolida como fator determinante para manter produtividade, acesso a mercados e estabilidade das exportações ao longo do ano.
Fonte: Abiec e especialistas do setor, adaptado pela equipe Feed&Food
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