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Cadeias de suprimentos avícolas se ajustam em todo o Oriente Médio devido à guerra

A guerra está interrompendo as linhas de suprimento da região, que depende fortemente das importações.

A guerra provocou ondas de choque na cadeia de suprimentos avícolas do Oriente Médio, interrompendo rotas comerciais e apertando o acesso a insumos essenciais em uma região que se tornou vital para o crescimento global da indústria, segundo aponta Johan Oppewal, Chefe de Empreendedorismo da Boerderij.

Ele explica que os produtos avícolas são a principal fonte de proteína para os consumidores no Oriente Médio. A guerra está interrompendo as linhas de suprimento da região, que depende fortemente das importações, afirma a RaboResearch, o centro de conhecimento do Rabobank. Em particular, espera-se que o Brasil – como grande exportador – seja o mais afetado. Os exportadores europeus são relativamente menos impactados.

O Oriente Médio é uma região importante para o setor avícola. A região representa 8% do mercado global e 15% do comércio global ocorre aqui. Além disso, o consumo e a produção estão crescendo mais rápido do que em outras partes do mundo. De acordo com uma pesquisa da RaboResearch, 10% do aumento na produção global está ocorrendo no Oriente Médio.

Interrupções no fornecimento de aves e ração

O conflito com o Irã agora desestabilizou substancialmente várias linhas de suprimento-chave. Um grande número de países da região depende do transporte pelo Golfo Pérsico e pelo agora bloqueado Estreito de Ormuz. Isso representa um problema não apenas para os grandes exportadores de produtos avícolas, como o Brasil, mas também para o fornecimento de ração e outras necessidades para a produção local. Desde que continuem produzindo, espera-se que esses produtores locais se beneficiem de preços mais altos.

O Brasil é o principal exportador para essa região. O país exporta 100.000 toneladas de produtos avícolas por mês para o Oriente Médio.

O frango representa 55% da proteína

O Oriente Médio é um mercado atraente para a indústria avícola devido ao rápido crescimento populacional, às políticas governamentais de segurança alimentar e ao aumento do consumo per capita de frango. Os produtos avícolas são a principal fonte de proteína para a população, representando 55% da ingestão de proteína, com uma taxa anual de crescimento de 3%.

Crescimento massivo na produção e no consumo

Nos últimos 20 anos, tanto a produção quanto o consumo cresceram enormemente. A produção regional dobrou desde 2004, ultrapassando 7 milhões de toneladas. O consumo também dobrou para cerca de 9 milhões de toneladas. Como resultado, há uma importação consistente de cerca de 2 milhões de toneladas, pouco mais de 20% do consumo total, apesar das políticas voltadas para aumentar a autossuficiência.

A Arábia Saudita agora atende a 70% de suas próprias necessidades; em 2016, esse número era de 40%. A intenção é aumentar ainda mais a autossuficiência para 85%, posicionando o país como líder na região.

Dentro dessa região, a Turquia é o único exportador líquido de produtos avícolas. Os países mais vulneráveis aos efeitos do conflito são Irã, Kuaite, Omã, Iraque, Bahrein e Emirados Árabes Unidos.

Esses países dependem do Estreito de Ormuz para seus suprimentos. A Arábia Saudita depende menos do transporte através desse gargalo no Golfo Pérsico e também pode importar pelo Mar Vermelho. A questão diz respeito principalmente à alimentação, mas há outros assuntos em jogo. As fazendas locais também exigem criação de animais e equipamentos técnicos para fazendas avícolas.

Brasil, o principal exportador

O Brasil é o principal exportador para essa região. O país exporta 100.000 toneladas de produtos avícolas por mês para o Oriente Médio, representando mais de um terço das exportações totais de produtos avícolas do Brasil.

Outros exportadores incluem Turquia, Rússia, Ucrânia, EUA e União Europeia. Rússia e Ucrânia, em particular, dependem fortemente desse mercado. Para os exportadores europeus – especialmente a França, que atende à região – os efeitos permanecem relativamente limitados. Nan-Dirk Mulder, analista da RaboResearch, prevê que a forte demanda europeia compensará a perda de participação de mercado. (Adaptado pela equipe Feed & Food.)

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