O Brasil enfrenta a Escócia nesta quarta-feira (24), às 19h, no horário de Brasília, no Hard Rock Stadium, em Miami, pela terceira rodada do Grupo C da Copa do Mundo de 2026. No futebol, o desempenho em campo é resultado de preparação, estratégia e execução. Na proteína animal, a lógica é semelhante: competitividade não nasce no momento da venda, mas de uma cadeia planejada da genética ao mercado consumidor.
No caso brasileiro, esse processo envolve produtores, cooperativas, agroindústrias, frigoríficos, empresas de genética, fábricas de ração, equipes técnicas, sistemas de biosseguridade, logística e abertura de mercados. É essa estrutura que permite ao País transformar produção agropecuária em alimento disponível, seguro e competitivo para o mercado interno e para diferentes destinos internacionais.
Resultados do agro
Em maio de 2026, as exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 16 bilhões, alta de 8,2% em relação ao mesmo mês do ano passado, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O setor respondeu por 50,2% das exportações totais do País. No acumulado de janeiro a maio, as vendas externas do agro chegaram a US$ 70,5 bilhões, crescimento de 4,6% e recorde histórico para os cinco primeiros meses do ano.
As proteínas animais tiveram papel importante nesse resultado. De acordo com o Mapa, carne bovina, carne de frango e carne suína registraram recordes de valor e volume para o mês de maio. Juntas, as proteínas animais alcançaram US$ 3,2 bilhões em exportações no período, avanço de 38% na comparação anual. Para o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, o desempenho representa “renda no campo, emprego na indústria, fortalecimento das cooperativas e mais presença do Brasil no mundo”.

Frango, bovinos e suínos
Na carne de frango, o Brasil manteve, em 2025, a posição de maior exportador mundial e terceiro maior produtor global, segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). A produção nacional chegou a 15,289 milhões de toneladas, enquanto as exportações somaram 5,324 milhões de toneladas, com receita de US$ 9,8 bilhões. Em maio de 2026, a carne de frango in natura alcançou US$ 883 milhões em exportações e 442 mil toneladas embarcadas para mais de 135 destinos.
Na carne bovina, a competitividade depende de fatores como genética, sanidade, rastreabilidade, habilitação de plantas e atendimento às exigências dos mercados compradores. Dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) mostram que o Brasil exportou 1,388 milhão de toneladas de carne bovina entre janeiro e maio de 2026, avanço de 15,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita acumulada chegou a US$ 7,88 bilhões.
A carne suína também mostra a importância do planejamento integrado. Em 2025, segundo a ABPA, o Brasil produziu 5,592 milhões de toneladas da proteína e exportou 1,510 milhão de toneladas, com receita de US$ 3,6 bilhões. O País avançou para a terceira posição entre os maiores exportadores mundiais de carne suína. Já em maio de 2026, as exportações de carne suína in natura somaram US$ 278 milhões, com 111 mil toneladas embarcadas, conforme o Mapa.
Produção diversificada
A proteína animal brasileira não se resume às carnes. Na produção de ovos, a ABPA aponta que o Brasil encerrou 2025 com 62,3 bilhões de unidades produzidas, 40,9 mil toneladas exportadas e consumo per capita de 288 ovos por habitante ao ano. O segmento reforça a oferta de proteína acessível e depende de nutrição, genética, ambiência, biosseguridade e gestão de custos.
Na cadeia leiteira, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a produção brasileira de leite de vaca chegou a 35,7 bilhões de litros em 2024, alta de 1,4%. Já na aquicultura, a produção de peixes cresceu 10,3%, alcançando 724,9 mil toneladas. A tilápia respondeu por 68,9% do total produzido, com 499,4 mil toneladas, consolidando-se como principal espécie da piscicultura nacional.
Assim como uma seleção depende de preparação antes de entrar em campo, a produção animal exige planejamento contínuo antes de chegar ao consumidor. Milho e soja sustentam grande parte da nutrição de aves, suínos, poedeiras, peixes, bovinos intensivos e vacas leiteiras. Sanidade, biosseguridade e gestão definem a capacidade de manter produtividade, reduzir riscos e atender mercados cada vez mais exigentes.
No dia em que a Seleção busca resultado contra a Escócia, a proteína animal brasileira mostra que desempenho consistente também é construído antes do momento decisivo. Dentro e fora da Copa, competitividade depende de planejamento, tecnologia, controle sanitário, escala produtiva e capacidade de transformar produção em alimento seguro para o Brasil e para o mundo.
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