As exportações brasileiras de carne bovina para a China alcançaram 80% da cota anual de 1,106 milhão de toneladas estabelecida para 2026, informou a Administração Geral das Alfândegas da China (GACC). O governo chinês também confirmou que, após o preenchimento integral da cota, será aplicada uma sobretaxa de 55% sobre a tarifa de importação vigente a partir do terceiro dia após o esgotamento do limite.
A medida faz parte do sistema de cotas e salvaguardas adotado pela China no início deste ano para proteger sua produção doméstica de carne bovina. Com a sobretaxa, as importações brasileiras passariam a enfrentar uma carga tributária significativamente maior, somando o adicional de 55% ao imposto de importação já aplicado e ao tributo interno chinês, cenário que, segundo a indústria exportadora, comprometeria a viabilidade econômica dos embarques.
O ritmo de utilização da cota preocupa o setor, uma vez que o volume autorizado para 2026 é cerca de 35% inferior às aproximadamente 1,7 milhão de toneladas exportadas pelo Brasil ao mercado chinês em 2025.

O percentual de 80% era considerado um marco estratégico pelos exportadores para interromper novos embarques destinados à China, evitando que cargas cheguem ao país após o esgotamento da cota e fiquem sujeitas à sobretaxa. Fontes da indústria estimam que, considerando produtos em trânsito, cargas aguardando desembaraço e volumes ainda em processamento pelas autoridades chinesas, o limite pode já ter sido ultrapassado no início deste mês.
Diante da redução da demanda chinesa e das incertezas em relação às exportações, frigoríficos brasileiros vêm adotando medidas para ajustar a produção. Entre as ações estão férias coletivas em algumas unidades, redução de turnos de trabalho e programas de layoff, enquanto o setor acompanha a evolução da utilização da cota e seus possíveis impactos sobre o comércio bilateral.




