Nas últimas duas décadas, a pecuária de corte brasileira passou por uma revolução silenciosa, marcada pela incorporação de práticas de manejo racional, avanços na legislação sobre transporte e abate, e, sobretudo, pela crescente consciência de que bem-estar animal não é custo, mas condição estratégica para competitividade e sustentabilidade.
Referência nesse debate, Carmen Perez, empresária rural e comunicadora do agro, ressalta que a transformação começou pela informação. “Antes de pensar em ambiência ou em tecnologia, foi essencial levar conhecimento para as equipes que lidam diariamente com os bovinos. A conscientização e os treinamentos consistentes foram o primeiro passo para que o bem-estar se tornasse realidade”, afirma.
Ela observa que, diferentemente de aves e suínos, os bovinos possuem mais liberdade de espaço, o que torna o tema da ambiência mais complexo. “No confinamento, ainda vemos muitos desafios: lama, poeira, restrição de área — às vezes menos de 12 m² por animal —, o que gera problemas respiratórios e competição. Por outro lado, quando o bem-estar é priorizado, o retorno é claro: melhora a produtividade, aumenta a segurança das equipes e engaja os trabalhadores”, destaca Carmen.
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