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Biosseguridade e controle de javalis ganham força como pilares da sustentabilidade na produção animal

Especialista alerta para riscos sanitários de espécies invasoras e defende ações preventivas para proteger a produção e garantir acesso a mercados

biosseguridade na produção animal

A biosseguridade tem se consolidado como um dos principais pilares da sustentabilidade na produção animal, especialmente diante do avanço de espécies invasoras como o javali. O tema foi destaque durante o painel sobre riscos potenciais na produção, realizado no Encontro da Abraves Paraná, e reforçado em entrevista pelo biólogo e consultor sênior da JDV Ambiental, Julio Daniel do Vale.

Segundo o especialista, a biosseguridade vai além das práticas internas das granjas e deve ser tratada como um diferencial competitivo do setor. “A biosseguridade é todo o protocolo, o procedimento, o aspecto operacional e produtivo que deve estar presente ao longo do processo e também ser pensado fora da porteira”, afirma.

Ele destaca que esse conjunto de ações é essencial para manter a qualidade da produção brasileira e garantir acesso aos mercados. “Nós vendemos não apenas a proteína, mas a proteína sadia. Com esse cuidado, conseguimos manter a nossa produtividade e garantir o mercado internacional, além da qualidade excelente para a população brasileira”, completa.

O avanço de espécies invasoras, como o javali, acende um alerta para os riscos sanitários dentro da cadeia produtiva. De acordo com Julio, esses animais representam uma ameaça concreta. “Já sabemos pela literatura que esses animais podem portar mais de 90 tipos de patógenos. No Brasil, há trabalhos que mostram javalis abatidos com soropositividade, ou seja, que já tiveram contato com doenças. Não é uma possibilidade, é uma realidade”, ressalta.

Além dos javalis, outras espécies também preocupam. “O cervo Axis, por exemplo, também é vetor de doenças e tem aumentado expressivamente. Mais do que saber quantos animais existem, é preciso entender como essas populações estão contaminadas e como isso pode afetar nossos rebanhos e até causar zoonoses”, explica.

biosseguridade na produção animal
Julio Daniel do Vale, biólogo e consultor sênior da JDV Ambiental, alerta para os riscos sanitários causados por espécies invasoras como o javali. Crédito: Reprodução

Diante desse cenário, o especialista reforça que o enfrentamento do problema exige ação coordenada de todo o setor. “O problema do javali precisa ser encarado por todos. Produtores, cooperativas e associações precisam saber onde isso está acontecendo, informar as autoridades e tomar ações preventivas”, afirma.

Ele alerta que a falta de preparo pode aumentar os prejuízos no futuro. “Quem não souber como lidar deve buscar especialistas e materiais disponíveis. O custo de atuar tardiamente pode ser muito grande. Muitas vezes se diz que não há problema em determinada região, mas esse é justamente o melhor momento para agir. Quando se torna um problema, já é tarde demais”, diz.

Para Julio, a adoção de medidas práticas e contínuas é fundamental para fortalecer a biosseguridade nas propriedades. “Apenas comentar o assunto de tempos em tempos é muito arriscado. Os produtores e cooperativas precisam definir ações efetivas. Recomendo fortemente que isso seja feito”, reforça.

O especialista também chama atenção para o papel da transparência dentro da agenda de sustentabilidade. “A importância desses temas depende da nossa atuação. Existe, às vezes, uma postura de ‘roleta-russa’, em que se prefere omitir o problema para evitar impactos de imagem. É um caminho muito equivocado”, afirma.

Na avaliação dele, encarar o desafio de forma direta é essencial para garantir avanços. “Devemos reconhecer o tamanho do problema e usar as ferramentas disponíveis para lidar com ele. Informar sobre os vetores de doenças e onde estão presentes ajuda a alertar o setor e incentiva a busca por soluções”, conclui.

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