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Bem-estar único avança na produção animal brasileira

Número de propriedades certificadas cresceu 316% entre 2024 e 2025, em movimento que aproxima manejo animal, cuidado com equipes e sustentabilidade da rotina produtiva

O número de propriedades com Certificação em Bem-Estar Único – Missão de Cuidar cresceu 316% no Brasil entre 2024 e 2025, passando de doze para 50 unidades produtivas. O avanço envolve sistemas de bovinos, suínos e aves e reflete uma mudança na forma como parte da cadeia de proteína animal tem incorporado critérios de manejo, cuidado com trabalhadores e preservação ambiental à gestão das propriedades.

Segundo dados da MSD Saúde Animal, a projeção é alcançar 100 propriedades certificadas neste ano. O movimento ocorre em um momento em que produtores, granjas, fazendas e agroindústrias são pressionados a comprovar boas práticas, melhorar indicadores produtivos e responder a exigências cada vez maiores de consumidores e mercados compradores.

Nova exigência no campo

O conceito de Bem-Estar Único parte da integração entre três frentes: bem-estar animal, bem-estar humano e preservação do meio ambiente. Na prática, a abordagem considera que a qualidade da produção depende não apenas da sanidade e do manejo dos animais, mas também das condições de trabalho das equipes e da forma como os recursos naturais são utilizados.

“O mercado está mudando a régua de exigência, e a certificação atende a quatro necessidades urgentes do produtor moderno: legitimidade e transparência, melhoria nos índices zootécnicos, retenção de talentos e acesso ao mercado externo. E o olhar atento dos produtores para esses fatores reflete no aumento da procura pelo selo”, afirma Antony Luenenberg, coordenador técnico de Bem-Estar Animal na MSD Saúde Animal.

A certificação conta com auditoria da QIMA e reúne mais de 150 critérios de avaliação. Entre os pontos analisados estão bem-estar animal, capacitação contínua dos colaboradores, segurança e ergonomia no trabalho, engajamento das equipes, uso eficiente de água e energia, gestão de resíduos e efluentes, redução de emissões, impactos ambientais e adoção de práticas de economia circular.

Certificação em bem-estar animal reforça práticas de manejo, cuidado com equipes e sustentabilidade na produção. Crédito: Reprodução

Manejo de baixo estresse ganha espaço

A capacitação das equipes também aparece como um dos fatores centrais para ampliar o bem-estar nas propriedades. Somente em 2025, o programa Criando Conexões capacitou mais de 2.500 pessoas entre equipes de fazendas, granjas e indústrias, alcançando 94 propriedades.

No segmento de ruminantes, foram 75 fazendas treinadas em técnicas de manejo de baixo estresse, das quais 13 também foram certificadas em bem-estar único. A proposta é orientar profissionais do campo a utilizarem princípios da ciência comportamental, como linguagem corporal, campo de visão e ponto de equilíbrio dos animais, reduzindo práticas que possam gerar estresse ou ferimentos durante o manejo.

De acordo com Luenenberg, as fazendas de ruminantes que alinham treinamento e certificação produzem, juntas, alimento suficiente para mais de 3,5 milhões de pessoas por ano. O sistema envolve cerca de 370 mil cabeças de gado e 17,5 milhões de litros de leite produzidos anualmente.

“Mais do que números, esses dados mostram que a capacitação de pessoas, o bem-estar animal e as boas práticas de produção caminham juntos para gerar alimentos de qualidade, com sustentabilidade e impacto positivo para toda a sociedade”, destaca o coordenador técnico de Bem-Estar Animal.

Sustentabilidade aplicada à produção

Para o produtor, o avanço das certificações indica que sustentabilidade e manejo ético deixaram de ser temas isolados da rotina produtiva. Cada vez mais, esses fatores passam a influenciar produtividade, permanência de trabalhadores no campo, transparência da atividade e acesso a mercados que exigem comprovação de boas práticas.

O crescimento do bem-estar único também mostra que a cadeia de proteína animal caminha para um modelo em que produzir melhor envolve cuidar dos animais, das pessoas e do ambiente. Nesse cenário, práticas sustentáveis deixam de ser vistas apenas como custo e passam a fazer parte da estratégia de competitividade das propriedades brasileiras.

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