A avicultura brasileira enfrenta pressão crescente para demonstrar padrões de produção relacionados a bem-estar animal, rastreabilidade, sanidade e sustentabilidade. A avaliação consta na terceira edição do Observatório do Frango, elaborado pela Alianima com base em dados públicos e informações do setor referentes, entre outros períodos, a 2025.
Segundo o relatório, o Brasil produziu mais de 15 milhões de toneladas de carne de frango em 2025, manteve a liderança mundial nas exportações e permaneceu entre os três maiores produtores. Essa posição amplia a exposição da cadeia às exigências de compradores, investidores e consumidores em mercados internacionais.
Transparência entra na competitividade
O documento relaciona o bem-estar animal a temas como Saúde Única, resistência antimicrobiana, influenza aviária e governança corporativa. A análise sustenta que empresas com metas, cronogramas e indicadores públicos podem reduzir riscos regulatórios e melhorar a previsibilidade comercial.
A pressão também cresce com acordos e negociações internacionais, como as tratativas entre Mercosul e União Europeia. Nesse ambiente, informações sobre origem dos alimentos, condições de criação e práticas adotadas nas granjas passam a influenciar avaliações de risco e decisões de compra.

O levantamento analisou informações públicas das principais empresas produtoras indicadas pelo ranking WATT Poultry. A ausência de metas divulgadas não comprova a inexistência de práticas internas, mas reduz a capacidade de demonstrar avanços ao mercado, segundo a publicação.
O relatório reconhece como vantagens brasileiras a produção integrada, a experiência em biosseguridade, a capacidade técnica e o potencial de adaptação tecnológica. Em contrapartida, aponta baixa coordenação setorial e falta de compromissos verificáveis em parte das organizações avaliadas.
Mudanças podem ocorrer por etapas
De acordo com o Observatório, aproximadamente 1,5 bilhão de aves já são criadas no país sob parâmetros de densidade de alojamento classificados pelo estudo como mais avançados, o equivalente a 27,7% da produção nacional.
A publicação propõe uma adoção gradual de melhorias, começando por manejo, ambiência, qualidade da cama, iluminação, enriquecimento ambiental e monitoramento dos aviários. Etapas posteriores poderiam incluir pesquisas sobre genética e sistemas de insensibilização no abate.
Para a Alianima, o principal desafio é transformar práticas já existentes em uma estratégia comum, com metas mensuráveis e prestação de contas. A organização avalia que essa estrutura pode ajudar o Brasil a responder às novas exigências comerciais sem perder competitividade no mercado global.




