A regional de Barretos voltou a liderar o Valor da Produção Agropecuária (VPA) do Estado de São Paulo em 2025, impulsionada pela valorização da pecuária de corte. Segundo levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, a região alcançou R$ 10,2 bilhões em faturamento agropecuário no ano passado.
O resultado recoloca Barretos na primeira posição entre as 40 regionais da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), posto que a região já havia ocupado em 2022 e 2023. O estudo considera a distribuição territorial do VPA paulista, abrangendo os 645 municípios do Estado.
Dez regionais concentram 42,2% da receita
As dez maiores regionais da CATI somaram R$ 73,62 bilhões em VPA em 2025, o equivalente a 42,2% de toda a receita agropecuária paulista. Depois de Barretos, São José do Rio Preto aparece na segunda posição, com R$ 9,6 bilhões, seguida por São João da Boa Vista, com R$ 8,1 bilhões.
O ranking das dez principais regionais também inclui Franca, Itapetininga, Presidente Prudente, Itapeva, Jaboticabal, Ourinhos e General Salgado. Na comparação com 2024, a regional de Barretos cresceu 20,2%, saindo da segunda para a primeira posição. Já São João da Boa Vista, que liderava o ranking no ano anterior, caiu para o terceiro lugar, com retração de 27,4%.
Boi gordo muda posição de regionais
A reconfiguração no mapa do VPA paulista foi influenciada pela oscilação de preços das principais commodities agropecuárias. De acordo com o levantamento, a carne bovina teve valorização média de 17,9% nos preços recebidos pelos produtores no Estado, movimento que favoreceu regiões com maior presença da pecuária de corte.
Esse avanço ajudou a impulsionar a regional de General Salgado, que subiu da 17ª para a 10ª posição no ranking estadual. Na região, o grupo de produtos animais respondeu por 49,8% da receita agropecuária. Ourinhos também entrou no grupo das dez maiores economias agropecuárias do Estado.

Cana e laranja perdem força em algumas regiões
Enquanto a pecuária ganhou peso no ranking, culturas tradicionais registraram retração em 2025. A queda nos preços da cana-de-açúcar e da laranja destinada à indústria afetou regiões com forte dependência desses produtos.
Como reflexo desse movimento, as regionais de Araraquara e Avaré deixaram o grupo dos dez maiores VPAs do Estado. O resultado mostra como a variação de preços entre diferentes cadeias produtivas pode alterar a posição econômica das regiões paulistas de um ano para outro.
Produtos industriais lideram valor estadual
No recorte por grupos, os produtos para indústria seguem como principal segmento em valor de produção, com R$ 79,8 bilhões, equivalentes a 45,8% do VPA paulista. Nesse grupo estão a cana-de-açúcar, com R$ 53,8 bilhões, a laranja para indústria, com R$ 13,2 bilhões, e o café beneficiado, com R$ 10,4 bilhões.
Os produtos animais aparecem em segundo lugar, com R$ 54 bilhões, ou 31,3% do total estadual. Dentro desse grupo, a carne bovina, com R$ 25,3 bilhões, e a carne de frango, com R$ 14,6 bilhões, concentram 72,9% do valor gerado pelos produtos de origem animal.
Animais lideram em 13 regionais
O grupo de produtos animais é o principal em 13 regionais da CATI: Campinas, Itapetininga, Jales, Botucatu, Presidente Prudente, Piracicaba, General Salgado, Fernandópolis, Bragança Paulista, Presidente Venceslau, Pindamonhangaba, Tupã e Guaratinguetá. Os destaques desse grupo são carne bovina, carne de frango, ovos de galinha e leite.
Já o grupo de grãos e fibras respondeu por 9,4% do VPA estadual. Soja, milho e amendoim somaram 90,2% do valor desse segmento, que tem maior peso nas regionais de Itapeva e Avaré.
A cana-de-açúcar permanece como o principal produto do VPA paulista, respondendo por 30,8% do total. A cultura aparece em 31 regionais da CATI e lidera o valor da produção em 17 delas, evidenciando a importância do setor sucroenergético, mesmo em um ano marcado por perda de participação de algumas regiões tradicionais.
Fonte: IEA-APTA e SAA-SP, adaptado pela equipe Feed&Food
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