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B4A lança tecnologia inédita para diagnóstico da microbiota ruminal a partir de fezes

A solução busca ampliar o acesso a informações estratégicas sobre saúde, nutrição e desempenho de rebanhos de corte e leite.

microbiota ruminal

A empresa de biotecnologia B4A (Biome4all) anunciou o lançamento de uma nova tecnologia voltada ao diagnóstico da microbiota ruminal por meio da análise de amostras fecais. A solução, considerada inédita no setor, busca ampliar o acesso a informações estratégicas sobre saúde, nutrição e desempenho de rebanhos de corte e leite, além de apoiar pesquisas no desenvolvimento de produtos para nutrição animal.

Baseada em técnicas de sequenciamento genético e análise avançada de dados microbiológicos, a ferramenta permite avaliar o equilíbrio do rúmen de forma não invasiva. A proposta é identificar padrões microbianos associados à eficiência alimentar, à emissão de metano e ao risco de distúrbios metabólicos, sem a necessidade de procedimentos complexos ou estressantes para os animais.

Segundo Robert Cardoso de Freitas, diretor de tecnologia (CTO) da B4A, a análise fecal oferece uma alternativa prática para monitoramento contínuo do rebanho. “Por meio das fezes, é possível obter informações valiosas sobre o equilíbrio do rúmen e a eficiência digestiva, sem a necessidade de amostragens invasivas”, afirma.

Monitoramento estratégico do rebanho

A tecnologia permite acompanhar, inicialmente, quatro frentes principais no manejo de ruminantes:

  • Identificação de desequilíbrios alimentares e ajuste de dietas
  • Estimativa do potencial de emissão de metano
  • Controle da acidez ruminal e risco de acidose subaguda
  • Avaliação de bioindicadores de saúde intestinal

De acordo com dados da empresa, a composição da microbiota fecal pode explicar até 20% da variação na eficiência alimentar em bovinos de corte. Certos microrganismos, como os gêneros Prevotella e Butyrivibrio, estariam associados a animais mais eficientes.

Apesar da baixa presença de arqueias metanogênicas nas fezes cerca de 0,5% da microbiota o método consegue prever até 60% das emissões de metano. Já comunidades com aproximadamente 12% de bactérias produtoras de butirato e propionato demonstram melhor equilíbrio na redução dessas emissões. Por outro lado, altas concentrações de Streptococcus e Lactobacillus podem indicar risco de acidose subaguda.

microbiota ruminal
A composição da microbiota fecal pode explicar até 20% da variação na eficiência alimentar em bovinos de corte. Crédito: Reprodução

Aplicações na pesquisa e na produção

A tecnologia já vem sendo utilizada em projetos científicos e em sistemas produtivos. A zootecnista Elaine Magnani, pesquisadora na área de nutrição de ruminantes, destaca que a integração entre dados da microbiota ruminal e fecal amplia a compreensão sobre o desempenho animal.

“Os dados permitiram identificar padrões microbianos associados à resposta dos animais a diferentes tratamentos, contribuindo para análises mais robustas”, afirma.

Na prática, a ferramenta apresenta benefícios distintos para diferentes sistemas de produção. No gado de corte, pode contribuir para melhorar a conversão alimentar e reduzir emissões. Já na pecuária leiteira, auxilia na prevenção de distúrbios digestivos e na manutenção da estabilidade produtiva.

Empresas do setor também vêm adotando a tecnologia em suas estratégias de inovação. A Korin Agricultura e Meio Ambiente utiliza análises metagenômicas tanto no desenvolvimento quanto na validação de produtos. Segundo Dayana Pereira, gerente de Pesquisa Aplicada da companhia, a ferramenta trouxe maior precisão na avaliação dos impactos nutricionais.

Inovação e sustentabilidade

Com o lançamento, a B4A reforça sua atuação na integração entre biotecnologia, ciência de dados e sustentabilidade. A expectativa é que a nova solução contribua para aumentar a eficiência produtiva, reduzir impactos ambientais e promover o bem-estar animal ao longo da cadeia pecuária.

Fonte: B4A, adaptado pela equipe da Feed&Food

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