O setor de carne de frango brasileiro encerrou 2025 com desempenho consistente, mesmo diante de obstáculos ao longo do ano, incluindo embargos decorrentes de casos de gripe aviária no Rio Grande do Sul. As exportações fecharam estáveis, impulsionadas por uma forte reação em dezembro, enquanto o mercado interno registrou recuo sazonal nos preços em janeiro. Abates, produção e consumo apresentaram crescimento, e os spreads permaneceram favoráveis, sustentando a rentabilidade do setor.
De acordo com o último relatório do Itaú BBA, em dezembro, os embarques de carne de frango totalizaram cerca de 496 mil toneladas, considerando produtos in natura e industrializados, alta de 14% sobre dezembro de 2024. O resultado ajudou a compensar o desempenho fraco entre maio e agosto, quando os embargos afetaram a exportação. No acumulado do ano, as exportações atingiram 5,162 milhões de toneladas, praticamente repetindo o volume de 2024, com leve alta de 0,1%. Já a receita total somou US$ 9,6 bilhões, recuo de 1,9% em relação ao ano anterior.
No mercado interno, os preços da carne de frango fecharam o ano estáveis, mantendo o padrão do quarto trimestre. A ave inteira congelada em São Paulo manteve-se em torno de R$ 8,10/kg. Após a virada do ano, entretanto, ocorreu a acomodação sazonal típica, levando a primeira quinzena de janeiro para R$ 7,50/kg, queda de 7% em relação ao fim de dezembro.

Segundo análise do setor, o spread do frango abatido permaneceu em bom nível em dezembro, estimado em 42%, acima da média histórica de 32% nos últimos dez anos. Apesar da alta nos preços de milho e farelo de soja no mercado spot durante o quarto trimestre de 2025, os custos monitorados pela Embrapa ainda não refletiram totalmente essa pressão.
Do lado da oferta, estima-se que os abates tenham crescido 6% no quarto trimestre e 3,2% no ano completo, mesmo diante de desafios genéticos na pirâmide reprodutiva do frango de corte, que impacta a produção de ovos férteis em escala global. Com o aumento do peso médio das carcaças, a produção de carne de frango deve ter avançado cerca de 4%, resultando em expansão de aproximadamente 6% no consumo aparente, já que as exportações permaneceram estáveis.
Fonte: Itaú BBA, adaptado pela equipe da Feed & Food.
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