Os preços da arroba do boi gordo encerraram maio com predominância de queda, apesar de momentos de volatilidade ao longo do mês. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a maior disponibilidade de animais terminados em algumas regiões pressionou as cotações em determinados períodos.
Para o pecuarista, o cenário mostra um mercado dividido. Enquanto a arroba perdeu força em parte do mês, a demanda internacional pela carne bovina brasileira ajudou a sustentar os preços em alguns momentos. Já no segmento de reposição, os valores dos bezerros avançaram, influenciados pela oferta mais restrita e pela expectativa positiva em relação ao ciclo pecuário.

Oferta de animais pressiona arroba
De acordo com pesquisadores do Cepea, a presença de maior volume de animais prontos para abate em algumas regiões aumentou a pressão sobre os preços do boi gordo. Esse movimento reduziu o poder de sustentação das cotações, especialmente nos momentos em que frigoríficos encontraram mais facilidade para compor escalas.
Ao mesmo tempo, a procura externa pela carne bovina brasileira continuou firme e evitou quedas mais intensas em determinados períodos. Para o setor, a exportação segue como fator importante na formação dos preços, principalmente quando o mercado interno apresenta menor força de consumo.
No mercado de reposição, o comportamento foi diferente. Os preços dos bezerros subiram em maio, segundo o Cepea, refletindo a oferta mais limitada desses animais e a avaliação positiva de parte dos pecuaristas sobre os próximos meses da atividade.

Carne com osso também perde valor
No atacado de carne com osso da Grande São Paulo, o movimento acumulado de maio também foi de queda. A carcaça casada bovina apresentou desvalorização, acompanhando o cenário de pressão observado na arroba.
Para quem atua na bovinocultura de corte, a combinação entre boi gordo mais pressionado, carne em queda e bezerro valorizado exige atenção ao planejamento. O custo da reposição pode pesar na margem do produtor, principalmente quando a venda do animal terminado ocorre em um ambiente de preços mais fracos.
O comportamento do mercado nos próximos meses deve depender da oferta de animais terminados, do ritmo das exportações e da disposição dos pecuaristas em investir na reposição. Nesse cenário, acompanhar a relação entre arroba, bezerro e carne no atacado segue essencial para ajustar estratégias de compra, venda e retenção de animais.
Fonte: Cepea, adaptado pela equipe Feed&Food
LEIA TAMBÉM
Brasil amplia cooperação agropecuária com Guatemala e Honduras
Mercado nacional recebe 27 milhões de doses contra clostridioses em maio





