A produção mundial de animais aquáticos pela aquicultura superou, pela primeira vez, 100 milhões de toneladas e alcançou 103 milhões de toneladas em 2024. O resultado consta no relatório The State of World Fisheries and Aquaculture (SOFIA) 2026, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), discutido nesta semana durante a 37ª Sessão do Comitê de Pesca (COFI37), em Roma, na Itália.
O levantamento mostra que a aquicultura já representa 53% da produção mundial de animais aquáticos e mais de 59% do volume destinado à alimentação. Somadas pesca e aquicultura, a produção global chegou ao recorde de 235 milhões de toneladas em 2024, das quais 195 milhões correspondem a animais aquáticos.
Pesca permanece próxima da estabilidade
Enquanto a aquicultura sustenta praticamente todo o crescimento da produção aquática desde o fim da década de 1980, a pesca extrativa permanece relativamente estável. Em 2024, foram capturadas cerca de 92 milhões de toneladas de animais aquáticos, incluindo 80 milhões de toneladas provenientes da pesca marinha.
O comércio internacional de animais aquáticos movimentou US$ 184 bilhões, enquanto a disponibilidade mundial para consumo chegou a aproximadamente 21,3 quilos por habitante em 2024. Segundo a FAO, alimentos aquáticos fornecem pelo menos um quinto da proteína animal consumida por 3,1 bilhões de pessoas.

Brasil participa das discussões
O COFI37 ocorre entre 7 e 11 de setembro na sede da FAO e reúne governos para discutir aquicultura, gestão pesqueira, mudanças climáticas, comércio e combate à pesca ilegal, não declarada e não regulamentada.
O ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araujo, apresentou ações brasileiras relacionadas a dados pesqueiros, aquicultura e segurança alimentar. “Temos a convicção de que a pesca e a aquicultura são fundamentais para sistemas alimentares mais sustentáveis, resilientes e diversificados”, afirmou.
Acordos são assinados em Roma
Durante a agenda, o Brasil assinou um Memorando de Entendimento com a Itália para cooperação em pesca e aquicultura e outro entre o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) e a Fisheries Transparency Initiative (FitI), voltado à transparência de dados da pesca marinha. O MPA não detalhou metas quantitativas ou prazos específicos para os acordos.
A FAO projeta que a produção mundial de animais aquáticos alcance 214 milhões de toneladas até 2034, mantendo a aquicultura como principal vetor de expansão do setor.



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