Encontrar trabalhadores para as funções operacionais é apenas uma parte do desafio enfrentado pela Aurora Coop. Ao mesmo tempo em que a disponibilidade de profissionais diminui nas regiões onde mantém suas operações, a transformação tecnológica das unidades aumenta a exigência por qualificação. O resultado é um cenário no qual contratar, desenvolver e reter pessoas passa a ter impacto direto sobre capacidade produtiva, custos e eficiência.
Em entrevista à Feed&Food, Suelen Pratto, gerente corporativo de Pessoas e Cultura da Aurora Coop, afirma que a dificuldade de contratação está concentrada principalmente dentro das operações industriais. “Atualmente, a maior dificuldade de contratação está concentrada nas nossas unidades industriais e em funções operacionais.”
A disponibilidade de trabalhadores nas regiões onde a cooperativa está presente ajuda a explicar o cenário. “Esse cenário também está relacionado ao mercado de trabalho das regiões onde estamos presentes, que apresenta taxas de desemprego baixas, reduzindo a disponibilidade de trabalhadores e tornando a disputa por mão de obra mais intensa entre as empresas”, diz Suelen.
Disputa por trabalhadores chega às operações
A pressão não decorre de um único fator. Segundo a gerente, a disponibilidade limitada de profissionais é acompanhada pela concorrência entre empresas, pela redução gradual do interesse por determinadas atividades operacionais e pelas mudanças no próprio perfil das vagas.
“Soma-se a isso a redução gradual do interesse por atividades operacionais em determinados segmentos da indústria, além da necessidade crescente de qualificação para atuar em ambientes cada vez mais automatizados e tecnologicamente avançados”, afirma. A operação em diferentes turnos e o tempo necessário para capacitação e adaptação às atividades também contribuem para o desafio.
Quando a contratação não acompanha a necessidade das operações, os efeitos podem ultrapassar a área de Recursos Humanos. “A falta de trabalhadores pode reduzir a capacidade produtiva, aumentar custos relacionados à contratação, integração e treinamento de novos profissionais e gerar perda de eficiência operacional”, explica Suelen. Segundo ela, o problema também pode provocar atrasos em processos e afetar a qualidade das operações, com reflexos nos resultados da empresa.
Reter e desenvolver entram na estratégia
Diante desse cenário, preencher uma vaga é apenas uma parte da resposta. Na Aurora Coop, a estratégia também passa pelo desenvolvimento profissional e pela criação de possibilidades de crescimento dentro da própria organização.
“Acreditamos que a melhor forma de enfrentar a escassez de mão de obra é investindo nas pessoas. Essa estratégia gera resultados concretos: registramos cerca de 1.000 promoções por mês e investimos R$ 12 milhões em qualificação e desenvolvimento no último exercício”, destaca Suelen.

Os números ajudam a dimensionar o papel que a mobilidade interna passou a ocupar na estratégia da cooperativa. Segundo a gerente, o investimento em desenvolvimento também busca permitir que profissionais construam trajetórias mais longas na empresa.
“Além de contribuir para a retenção de talentos, esses investimentos permitem que muitos colaboradores construam carreiras de longo prazo na Cooperativa, evoluindo de programas de estágio e funções operacionais para posições de liderança.”
Suelen relata ainda que há profissionais que ingressaram como estagiários, avançaram para posições técnicas e de liderança e atualmente ocupam cargos de gerência. A trajetória exemplifica uma tentativa de responder à escassez não somente pela contratação externa, mas também pela formação de pessoas dentro da própria estrutura.
Automação muda o profissional procurado
A automação adiciona uma nova camada ao desafio. À medida que determinadas atividades operacionais passam a ser executadas por equipamentos e sistemas, as competências exigidas dos trabalhadores também se transformam.
“A automação vem transformando o perfil das vagas, exigindo dos profissionais não apenas conhecimento técnico da atividade, mas também maior familiaridade com ferramentas tecnológicas, interpretação de dados, capacidade de adaptação e aprendizado contínuo”, afirma Suelen.
Isso significa que a adoção de tecnologia não encerra a demanda por pessoas. Na experiência relatada pela Aurora, ela modifica o tipo de conhecimento necessário dentro das unidades. “À medida que processos operacionais são automatizados, cresce a demanda por profissionais capazes de monitorar sistemas, analisar informações, solucionar problemas e contribuir para a melhoria contínua dos processos.”
A resposta da cooperativa tem sido aproximar os investimentos em tecnologia dos investimentos em formação profissional. A empresa afirma ter ampliado capacitações técnicas e comportamentais e iniciativas de transformação digital. “Na Aurora Coop, acompanhamos essa evolução investindo tanto em tecnologia quanto no desenvolvimento das pessoas”, diz Suelen.
Na prática, o desafio relatado pela Aurora revela uma equação que vai além de simplesmente encontrar candidatos para vagas abertas. A cooperativa precisa disputar trabalhadores em regiões de baixa disponibilidade de mão de obra e, simultaneamente, preparar profissionais para funções que exigem cada vez mais capacidade de lidar com sistemas, dados e processos automatizados. Nesse cenário, a tecnologia muda o trabalho mas também aumenta a importância de desenvolver quem estará preparado para executá-lo.



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