A aquicultura brasileira reúne condições para avançar em escala, mas a próxima etapa de crescimento exigirá mais tecnologia, produtividade, biossegurança e segurança jurídica. Essa foi uma das principais conclusões dos debates da 8ª edição do International Fish Congress & Fish Expo Brasil (IFC Brasil 2026), realizada em Foz do Iguaçu (PR).
O desafio do setor, segundo os participantes do evento, é transformar as vantagens naturais do País e o crescimento da demanda por pescado em uma cadeia cada vez mais tecnificada e competitiva.
Para o presidente do IFC Brasil 2026 e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Altermir Gregolin, a evolução da atividade dependerá da combinação entre inovação tecnológica e políticas públicas capazes de garantir previsibilidade aos investimentos. “A questão central que norteou os debates é a necessidade de o setor continuar inovando para ter competitividade e, junto com isso, ter políticas públicas que possam dar segurança jurídica e apoiar o desenvolvimento da atividade”, afirmou.
Entre as tecnologias com potencial de transformar a piscicultura estão inteligência artificial, mecanização, automação, melhoramento genético e nutrição de precisão. A expectativa é que essas ferramentas contribuam para elevar a produtividade e a eficiência da cadeia, em movimento semelhante ao observado anteriormente em segmentos como avicultura e suinocultura.
Biossegurança ganha importância
Com a intensificação da produção, a sanidade passa a ocupar posição estratégica na aquicultura. O aumento da escala produtiva amplia também a necessidade de prevenção, monitoramento e controle de enfermidades que podem comprometer os resultados econômicos e o acesso a mercados.
Gregolin defende que a piscicultura avance em padrões de biossegurança semelhantes aos adotados por cadeias mais consolidadas de proteína animal. “Temos doenças que precisam ser monitoradas e controladas, além de doenças que não entraram no Brasil, como a TILV, por exemplo. Na questão da biossegurança, precisamos chegar aos níveis que o frango e o suíno chegaram”, afirmou.
O fortalecimento da estrutura sanitária ganha relevância adicional diante das perspectivas de crescimento das exportações brasileiras de pescado.
Itaipu mostra potencial de expansão da tilápia
Um dos principais exemplos discutidos durante o IFC Brasil 2026 foi o potencial de produção no reservatório de Itaipu. Representantes dos governos do Brasil e do Paraguai, da Itaipu Binacional e do setor produtivo avaliaram as possibilidades de desenvolvimento da piscicultura no lago.
A estimativa apresentada durante o evento aponta capacidade de suporte para até 400 mil toneladas de produção por ano. A utilização desse potencial, entretanto, depende da conclusão das etapas regulatórias e da definição das áreas e condições para implantação dos projetos.
Para Eliana Panty, CEO do IFC Brasil, o empreendimento representa uma oportunidade de ampliar significativamente a produção de tilápia. “O IFC como instrumento de aceleração do processo pode resultar na produção de mais 400 mil toneladas de tilápia por ano na área do lago de Itaipu”, afirmou.
Segundo ela, a articulação entre Brasil e Paraguai e entre os diferentes órgãos envolvidos será importante para reduzir entraves e criar condições para o desenvolvimento da atividade.
O caso de Itaipu também evidencia um dos principais desafios da aquicultura nacional: transformar a disponibilidade de recursos naturais em produção comercial sem perder de vista requisitos ambientais, sanitários, de infraestrutura e de governança.
Tilápia concentra oportunidades
A tilápia ocupa posição de destaque nas perspectivas de expansão da piscicultura brasileira. O aumento do consumo interno e as oportunidades no mercado internacional colocam a espécie no centro das estratégias de crescimento do setor.
Para Gregolin, o Brasil reúne condições favoráveis para disputar maior participação na produção mundial de pescado, graças à disponibilidade de água, ao clima, à oferta de matérias-primas para ração, ao tamanho do mercado consumidor e à experiência acumulada pelo agronegócio. “Temos condições naturais excepcionais, como clima, disponibilidade de água e produção de matéria-prima para ração. Temos um mercado interno gigante, experiência exportadora e a expertise do agro que acelera o desenvolvimento da aquicultura”, afirmou.
O crescimento, porém, não estará limitado ao aumento do volume produzido. A cadeia terá de avançar simultaneamente em produtividade, custos, qualidade, sanidade, sustentabilidade e acesso a mercados.
Nesse cenário, genética, nutrição de precisão, automação e outras tecnologias devem ganhar espaço nos sistemas produtivos.

Consumo de pescado também precisa avançar
Além da capacidade de produção, a expansão da aquicultura depende do comportamento do mercado consumidor. O pescado disputa espaço com outras fontes de proteína animal e, para os representantes do setor, o objetivo é ampliar sua participação na alimentação dos brasileiros.
A estratégia defendida durante o IFC Brasil 2026 não é substituir carnes bovina, suína ou de aves, mas aumentar a presença do pescado na dieta. “O IFC levanta uma bandeira da proteína do pescado, que é somar a proteína do pescado à dieta do brasileiro, e não substituir outras carnes, como bovina, suína ou de aves”, afirmou Panty.
Com mercado interno relevante, potencial exportador e disponibilidade de recursos naturais, a aquicultura brasileira entra em uma etapa em que o desafio passa a ser transformar potencial em escala.
Para isso, a evolução da atividade dependerá do avanço conjunto de tecnologia, produtividade, biossegurança, regulação, infraestrutura e ambiente de negócios. O desempenho desses fatores deverá definir a capacidade do setor de ampliar a produção de pescado e consolidar a aquicultura como uma das cadeias relevantes da proteína animal brasileira.
Apoio e patrocínios
A 8ª edição do IFC Brasil – International Fish Congress & Fish Expo Brasil é correalizada pela Fundep (Fundação de Apoio ao Ensino, Extensão, Pesquisa e Pós-graduação), Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná), UFPR (Universidade Federal do Paraná) e a sua Fundação, a Funpar. O IFC Brasil 2026 tem o patrocínio do Sistema Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), Copel (Companhia Paranaense de Energia), BRDE (Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul), da Itaipu Binacional, Apex Brasil, da Caixa Econômica Federal, do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), MPA (Ministério da Pesca e Aquicultura), do Governo Federal. O IFC Brasil tem o apoio institucional da Abipesca (Associação Brasileira das Indústrias de Pescados), Peixe BR (Associação Brasileira da Piscicultura), Unila (Universidade Federal da Integração) e Sistema Ocepar (Organização das Cooperativas do Estado do Paraná).




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