Por Felipe Machado, de Patos de Minas (MG)
Em meio à programação da FENAMINAS 2025, o XIII Seminário da Suinocultura Moderna reuniu produtores, especialistas e líderes do setor em Patos de Minas (MG), nesta quarta-feira (24), para discutir o tema “Granja de alta performance: equipe treinada, gestão de dados e manejo eficiente”. A palestra principal foi conduzida por Carlos Pereira, da DanBred Brasil, que destacou como a combinação entre tecnologia, gestão técnica e valorização de pessoas está transformando a produtividade em granjas brasileiras. “O que realmente importa é a saúde financeira da atividade. Todos os indicadores são importantes, mas precisam ser olhados à luz da rentabilidade”, afirmou.
Dados apresentados revelaram que as 10 melhores granjas do país atingem um Desempenho Fêmea Ano (DFA) médio de 38,07, bem acima da média nacional de 29,99. A diferença, segundo os especialistas, não é resultado de um único fator, mas sim de um conjunto de decisões estratégicas baseadas em evidências. Um exemplo citado mostrou que uma granja que eleva seu DFA de 32,35 para 40 pode obter até R$ 3 milhões adicionais por ano. “Não adianta ter um DFA alto se ele não for financeiramente sustentável”, alertou um dos palestrantes ao comentar os riscos de buscar apenas produtividade bruta.

Além dos dados zootécnicos, o seminário ressaltou a importância da gestão de pessoas como fator-chave para alcançar e manter alto desempenho. A falta de integração e treinamento adequado tem gerado alta rotatividade nas granjas. “É como largar alguém numa estrada sem mapa nem GPS e depois reclamar que ele se perdeu”, citou trecho de um artigo apresentado por Leandro Trindade, consultor do setor. As soluções passam por acolhimento, plano de carreira, cultura organizacional clara e treinamentos personalizados conforme o perfil de cada função.
O engajamento da equipe também foi apontado como gargalo: apenas 17% dos funcionários em granjas são considerados engajados, segundo dados do Instituto Gallup. Estratégias como bonificação por metas e participação nas decisões têm mudado essa realidade. “Depois que implementamos o sistema de premiação, o interesse pelos relatórios aumentou. Isso mostra que começaram a pensar como donos”, relatou um gestor presente no evento. A conclusão dos especialistas é que a granja do futuro não será necessariamente maior, mas será mais inteligente, humana e estrategicamente gerida.
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