O agronegócio paulista consolidou a União Europeia como o segundo maior destino de suas exportações em 2025, com vendas totais de US$ 4,14 bilhões, equivalentes a 14,4% de toda a comercialização externa do setor. O desempenho reforça a relevância do bloco europeu e amplia as perspectivas de expansão com a formalização do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia.
Segundo dados da Balança Comercial, as exportações do agro paulista para a UE cresceram 5% em relação a 2024, ficando atrás apenas da China, que absorveu 23,9% das vendas externas do setor. Para o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Geraldo Melo Filho, os resultados ganham ainda mais importância diante do acordo, que encerra mais de duas décadas de negociações e cria oportunidades concretas para produtos como café, carnes e frutas.
Países Baixos como porta de entrada estratégica
Dentro desse fluxo comercial, os Países Baixos se destacam como principal porta de entrada para os produtos paulistas na Europa. Em 2025, mais de 1 milhão de toneladas de produtos do agro paulista chegaram ao país, movimentando cerca de US$ 1,3 bilhão. Entre os principais itens estão suco (300 mil toneladas), celulose (236 mil toneladas) e produtos do complexo sucroalcooleiro (143 mil toneladas), segundo levantamento do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA).
De acordo com o diretor da consultoria How2Go do Brasil, Marcelo Vitali, o Porto de Roterdã atua como um hub logístico, redistribuindo frutas paulistas para mercados como Alemanha, Reino Unido, França e países nórdicos, além de permitir que o produtor agregue valor em um mercado altamente exigente em qualidade.
A Cooperativa Agroindustrial APPC, de Pilar do Sul (SP), é um exemplo desse uso estratégico do corredor logístico. A entidade exporta caqui Fuyu e Rama Forte para diversos países europeus, com alto padrão de rastreabilidade e sustentabilidade. “No mercado europeu, especialmente nos Países Baixos, eles distribuem nossa produção para toda a Europa, ampliando o alcance das frutas e reforçando nossa presença internacional”, afirma Jéssica Bastos, do setor de exportação da cooperativa.

Perspectivas com o acordo Mercosul–UE
A expectativa é que o acordo de livre comércio, assinado em janeiro de 2025 pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, impulsione ainda mais as exportações do agro paulista em 2026, superando o crescimento de 5% registrado no ano anterior.
Além do comércio, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo mantém parceria com o Consulado Geral dos Países Baixos para fortalecer a cooperação técnica e o intercâmbio de tecnologias. “Em muitos casos, não é preciso criar algo do zero. Tecnologias desenvolvidas em outros países podem ser adaptadas às nossas condições, permitindo inovação mais rápida e eficiente”, destaca o secretário executivo da SAA, Alberto Amorim.
A conselheira agrícola da Embaixada dos Países Baixos, Inge Horstmeier, reforça a importância estratégica do estado. “São Paulo produz derivados de soja, frutas cítricas, açúcar, café, carnes e matérias-primas para bioenergia. Os Países Baixos são um importador importante, com elevados padrões de qualidade, sustentabilidade e rastreabilidade”, afirma.
Com a combinação de crescimento consistente e novas oportunidades comerciais, o agronegócio paulista projeta o fortalecimento contínuo de sua presença no mercado europeu nos próximos anos.
Fonte: Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo / Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), adaptado pela equipe Feed&Food
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