A busca por melhor aproveitamento dos nutrientes, redução de custos e menor impacto ambiental tem ampliado o papel dos aditivos na alimentação animal. Enzimas, probióticos, prebióticos e fitogênicos integram estratégias de nutrição voltadas à eficiência produtiva de aves, suínos e bovinos, mas seus resultados dependem das condições de cada sistema.
Segundo Everton Krabbe, chefe-geral da Embrapa Suínos e Aves, essas tecnologias podem atuar de forma complementar. A fitase, utilizada há mais de 30 anos, favorece o aproveitamento do fósforo e de outros nutrientes presentes em ingredientes vegetais. O pesquisador destaca que diferentes enzimas podem contribuir para formular dietas mais econômicas e melhorar a digestibilidade, desde que a escolha considere a qualidade dos ingredientes e as necessidades dos animais.
A redução do uso de antimicrobianos também impulsiona o interesse por soluções voltadas à saúde intestinal. Krabbe ressalta, porém, que probióticos e outras ferramentas nutricionais não substituem os antibióticos, pois apresentam mecanismos de ação distintos.
Resultados variam conforme o sistema
Na bovinocultura de corte, Sergio Raposo de Medeiros, pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste, observa que probióticos, prebióticos e leveduras são mais comuns do que enzimas fora das pesquisas. Ele aponta que alguns aditivos podem proporcionar melhorias de desempenho próximas de 10%, com respostas variáveis conforme o manejo e os desafios sanitários. “Obviamente, o custo de usá-lo deve ser menor do que o ganho a mais”, afirma.
A adoção em sistemas a pasto apresenta dificuldades adicionais. Segundo Medeiros, o consumo irregular de suplementos pode comprometer a ingestão da quantidade necessária de aditivo. No confinamento, o maior controle da alimentação facilita avaliar efeitos sobre a eficiência alimentar.
Benefícios ambientais exigem comprovação
João Paulo Pacheco Rodrigues, pesquisador da Embrapa Gado de Leite, alerta que a resposta aos aditivos não é uniforme. Resultados científicos variam conforme a formulação, a categoria animal e o contexto de produção. Por isso, recomenda avaliar custos e benefícios com apoio de profissionais de nutrição, sem usar os produtos para compensar falhas de manejo ou sanidade.
O pesquisador Mirton José Frota Morenz, da mesma unidade, destaca que a redução de emissões, incluindo metano, também precisa estar associada a retorno mensurável. Como exemplo hipotético, um aumento de R$ 0,03 por litro no custo do leite representa R$ 1.800 mensais para uma fazenda que produz 2 mil litros por dia.
Para os especialistas, o avanço dessas tecnologias deverá depender da integração entre pesquisa, nutrição de precisão, monitoramento e avaliação econômica. Mais do que incorporar novos produtos, o desafio é identificar em quais condições eles realmente oferecem ganhos produtivos e ambientais.
Confira a matéria completa na edição 233 da Revista Feed&Food.




Nenhuma discussão ainda. Seja o primeiro a comentar.