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Acordo Mercosul-UE acende alerta no setor lácteo brasileiro

Indústrias avaliam riscos de competitividade diante da possível redução tarifária entre os blocos

acordo Mercosul União Europeia setor lácteo

O avanço do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia reacendeu o debate sobre os impactos para o setor lácteo brasileiro. Em um cenário marcado por meses de rentabilidade pressionada no campo e na indústria, representantes do segmento avaliam que a abertura gradual de mercado pode trazer desafios relevantes à competitividade nacional.

O texto preliminar do tratado foi aprovado na Câmara dos Deputados e segue para apreciação do Senado. Entre os pontos previstos está a redução de tarifas de importação para diferentes produtos ao longo de um período que pode chegar a 18 anos, dependendo da categoria.

Para a indústria de laticínios, a preocupação central está na possibilidade de ampliação das importações europeias em um momento de fragilidade interna. O setor argumenta que países da União Europeia operam com estruturas de subsídios e políticas de proteção que favorecem seus produtores, o que poderia gerar desequilíbrio concorrencial no mercado brasileiro.

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Setor lácteo avalia impactos do acordo Mercosul-União Europeia sobre competitividade e importações de lácteos no Brasil. Crédito: Reprodução

O leite é considerado segmento estratégico por sua relevância na segurança alimentar e na geração de renda em pequenas e médias propriedades rurais. A cadeia produtiva envolve milhares de produtores, cooperativas e indústrias distribuídas pelo país, com forte presença na Região Sul.

Especialistas destacam que o impacto efetivo dependerá da regulamentação final do acordo e da criação de eventuais mecanismos de salvaguarda. Instrumentos de proteção, como cotas, prazos de transição mais longos ou políticas de incentivo à competitividade interna, podem mitigar riscos.

Por outro lado, o tratado tende a ampliar a corrente de comércio entre os blocos e pode abrir oportunidades em segmentos específicos do agronegócio brasileiro. O desafio para o setor lácteo será equilibrar abertura comercial com manutenção da sustentabilidade econômica da produção nacional.

O debate agora se desloca para o Senado e para as negociações complementares que definirão as condições finais de implementação do acordo.

Fonte: Sindicato da Indústria de Laticínios do RS (Sindilat), adaptado pela equipe Feed&Food

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