Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
O mês de abril foi marcado por movimentos contrastantes no mercado das proteínas animais. Enquanto o boi gordo manteve relativa estabilidade diante de uma oferta limitada e demanda moderada, e o frango registrou preços firmes em São Paulo, os setores de suínos e de postura enfrentaram retrações nos preços médios, ainda que com desempenhos melhores em comparação ao ano anterior. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) e revelam os efeitos combinados de fatores sazonais, custos de produção, dinâmica regional de consumo e variações no poder de compra do consumidor.
Boi gordo: estabilidade com viés de cautela
Apesar da oferta restrita de animais prontos para abate, o mercado do boi gordo seguiu com preços relativamente estáveis em abril, segundo o Cepea. Isso se deve à postura mais cautelosa de frigoríficos, que relataram dificuldade em escoar a produção no mercado interno, especialmente em um contexto de consumo ainda contido.
O Indicador do boi gordo CEPEA/B3 (São Paulo) girou próximo de R$ 230/@ ao longo do mês, com pequenas variações diárias, refletindo um mercado sem grandes pressões, mas também sem força para altas expressivas.
Frango: firmeza em São Paulo e pressão no Sul
O mercado de frango vivo apresentou comportamentos regionais distintos. Em São Paulo, os preços se mantiveram firmes, sustentados pela demanda e por uma oferta ajustada de animais para abate. Já no Sul do país, principalmente no Paraná e em Santa Catarina, houve queda nos preços em abril, reflexo de um leve desequilíbrio entre produção e escoamento.
De acordo com o Cepea, mesmo com a pressão, os preços permanecem em patamares historicamente remuneradores para os produtores, graças à redução nos custos de ração e à maior eficiência produtiva.

Suínos: queda no mês, mas com desempenho superior a 2024
A carne suína teve um abril de ajuste. As cotações médias recuaram frente a março, mas ainda superaram em cerca de 20% os preços registrados no mesmo período de 2024. O movimento é atribuído a um consumo mais fraco após a Páscoa e a um aumento na oferta em algumas regiões.
No entanto, o setor mantém boas perspectivas, apoiado na redução de custos com alimentação e na possibilidade de melhora nas exportações nos próximos meses.
Ovos: baixa nas cotações após pico de demanda
O setor de postura registrou a menor média mensal de preços dos últimos três meses. Com o fim do período da Quaresma — tradicionalmente marcado por maior consumo de ovos —, a demanda recuou, gerando excedente de produto no mercado.
O Cepea indica que, além da queda no consumo, a manutenção da produção em ritmo elevado pressionou os preços. O movimento reforça a necessidade de ajustes na oferta para equilibrar o mercado nos próximos meses.
Desafios e oportunidades à frente
A tendência para os próximos meses é de continuidade desse cenário fragmentado. A recuperação do consumo interno ainda depende da evolução do poder de compra da população, enquanto as exportações seguem como fator-chave para o desempenho de proteínas como carne bovina e suína. Já para os ovos, o ajuste na produção e a valorização de nichos como ovos funcionais podem ajudar a recuperar parte da rentabilidade.
LEIA TAMBÉM:
Mapa lança sistema de registro para produtos de origem animal
Genética avícola brasileira fatura mais de US$ 60 milhões no primeiro trimestre
Adeste patrocina curso técnico sobre elaboração de produtos cárneos no ITAL





