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ABPA eleva projeções para frango e suínos e prevê 301 ovos por habitante

Entidade estima produção de 16,15 milhões de toneladas de carne de frango, 5,87 milhões de toneladas de carne suína e novos avanços em 2027.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) revisou para cima suas projeções para a produção e as exportações brasileiras de carne de frango e suína em 2026. A entidade também prevê crescimento do consumo de ovos, que deve ultrapassar a marca de 300 unidades por habitante neste ano.

Os números foram apresentados pelo presidente da ABPA, Ricardo Santin, durante coletiva de imprensa realizada na terça-feira (28), em São Paulo (SP). Segundo ele, a estabilidade dos custos de milho e soja, o câmbio competitivo e a demanda internacional sustentam uma perspectiva favorável para o setor. “Estamos confiantes de fechar um ano bastante positivo”, afirmou Santin.

Exportações absorvem avanço da avicultura

A produção brasileira de carne de frango deve alcançar 16,15 milhões de toneladas em 2026, crescimento próximo de 5%. As exportações são estimadas em até 5,875 milhões de toneladas, alta de aproximadamente 10%, enquanto 10,2 milhões de toneladas deverão permanecer no mercado interno.

Com esse desempenho, o consumo nacional pode chegar a 48 quilos por habitante. Segundo Santin, as exportações brasileiras registram, em média, 55 mil toneladas mensais a mais neste ano. “O que se produziu a mais foi produzido porque havia demanda lá fora. É uma demanda consistente”, declarou.

O presidente também afastou a possibilidade de excesso de oferta provocado pelo aumento dos alojamentos. “Nós não vendemos cabeça, vendemos carne. Quando o consumidor compra um frango inteiro, ele está comprando peso de carne”, explicou.

Para 2027, a ABPA projeta produção de 16,6 milhões de toneladas, crescimento próximo de 3%. As exportações devem avançar em ritmo semelhante, enquanto o consumo interno pode alcançar 49,4 quilos por habitante.

Carne suína chega a patamar histórico

Na suinocultura, a produção deve atingir até 5,87 milhões de toneladas em 2026, avanço de aproximadamente 5%. As exportações são projetadas em cerca de 1,6 milhão de toneladas, quase 6% acima do resultado de 2025.

O consumo interno deve passar de 19 para 20 quilos por habitante. “Esse é um marco bastante interessante para nós. Chegamos ao consumo de 20 quilos per capita”, ressaltou Santin.

No acumulado apresentado pela associação, os embarques de carne suína cresceram 10% em volume e 7,9% em receita, apesar da redução de 32 mil toneladas nas vendas para a China. A diversificação dos destinos ajudou a compensar a retração, com as Filipinas concentrando 27% das exportações brasileiras. “A suinocultura está forte e tem uma diversificação de mercados. Essa diversificação está levando a esse resultado positivo”, afirmou.

Avicultura, suinocultura e produção de ovos devem avançar em 2026, impulsionadas pelo consumo interno e pela demanda internacional, segundo projeções da ABPA. Crédito: Imagem gerada por IA.

Para 2027, a expectativa é de produção de 6,05 milhões de toneladas e exportações de 1,7 milhão de toneladas. O consumo pode chegar a 20,4 quilos por habitante.

Consumo supera 300 ovos

A produção brasileira de ovos deve encerrar 2026 em 64,8 bilhões de unidades. O consumo é estimado em 301 ovos por habitante, acima da média mundial indicada pela ABPA. “O ovo não é mais o vilão. Passou a ser um herói”, declarou Santin ao destacar a consolidação da proteína na alimentação dos brasileiros.

As exportações devem somar aproximadamente 30 mil toneladas, queda de 26% diante da ausência dos Estados Unidos, que haviam realizado compras extraordinárias em 2025 após problemas provocados pela influenza aviária.

Em contrapartida, o Chile ampliou suas importações de 2,4 mil para 6,3 mil toneladas, crescimento de 161%, e assumiu a liderança entre os destinos do produto brasileiro.

Para 2027, a ABPA prevê produção de 66,5 bilhões de ovos, avanço de 2%, retomada das exportações e consumo de 312 unidades por habitante.

Sanidade e União Europeia seguem no radar

Apesar das projeções positivas, a entidade mantém atenção sobre os riscos sanitários e comerciais. “A biosseguridade não é um ato, ela é um exercício”, afirmou Santin.

A ABPA trabalha para ampliar o reconhecimento internacional da regionalização sanitária, mecanismo que restringe eventuais suspensões comerciais apenas às áreas afetadas por um foco de influenza aviária. Filipinas, Peru e México já reconhecem modelos brasileiros de regionalização, enquanto continuam as tratativas com China, União Europeia e África do Sul.

No caso europeu, uma missão sanitária é esperada para o fim de agosto. O Brasil está implementando uma camada adicional de fiscalização oficial sobre a segregação das cadeias que atendem ao bloco, diante das novas exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos. “Nós vamos continuar fazendo o que sempre fizemos, que é cumprir os requisitos sanitários da Europa”, disse Santin.

A expectativa do setor é evitar interrupções a partir de 3 de setembro, data prevista para a entrada em vigor da nova lista europeia de países autorizados.

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