Por Marcelo Macaus | jornalistamacaus@gmail.com
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) chegou ao marco de uma década de atuação em 2024, se consolidando como a principal entidade representativa das cadeias produtivas da avicultura e suinocultura no país. Fruto da fusão entre a UBABEF e a ABIPECS, a ABPA reúne atualmente mais de 140 associados, entre agroindústrias, casas genéticas, fornecedores de insumos, equipamentos e entidades setoriais, respondendo por 95% das exportações do setor.
Com presença institucional estratégica no Brasil e no exterior – São Paulo, Brasília, Bruxelas e Pequim –, a ABPA é hoje uma das principais vozes do agro brasileiro nos mercados globais. Segundo o presidente Ricardo Santin, 2024 foi um ano de crescimento sólido, marcado por estabilidade nos custos de produção, aumento do consumo interno e abertura de novos mercados.
“Celebramos dez anos de conquistas e desafios superados. A ABPA é reflexo do trabalho integrado e da evolução contínua da cadeia de proteína animal. Já são quase US$ 100 bilhões em exportações e uma contribuição inestimável à segurança alimentar no Brasil e no mundo”, afirma o executivo.
Entre os destaques do ano, o relatório aponta a atuação ágil frente a desafios sanitários, como o foco isolado de Doença de Newcastle em Anta Gorda (Rio Grande do Sul). A resposta rápida das autoridades e o trabalho coordenado com a ABPA permitiram o restabelecimento dos embarques, reforçando a confiança internacional na qualidade sanitária dos produtos brasileiros. O país segue livre da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade em sua produção comercial e não registra casos de Peste Suína Africana há mais de quatro décadas – vantagens estratégicas que ampliam a competitividade no comércio internacional.
A ABPA também intensificou sua presença global por meio de missões comerciais, auditorias e participação em grandes feiras internacionais, como Gulfood Dubai, SIAL Paris e CIIE China. Ao todo, foram abertas ou ampliadas as habilitações para exportação de aves, suínos, ovos e material genético em 15 países, incluindo mercados exigentes como Canadá, Reino Unido, México e China. Só nas ações presenciais, foram gerados US$ 395,5 milhões em negócios imediatos, com projeção de mais de US$ 3,4 bilhões para os 12 meses seguintes.

A promoção da imagem do setor também ganhou destaque com campanhas como “Tecnologia para Produzir e Alimentar” e “Sabor e Saúde para sua Família”, que reforçaram o papel da proteína animal na saúde pública e mostraram a robustez tecnológica da cadeia produtiva. Paralelamente, o SIAVS 2024, organizado pela ABPA, se consolidou como o maior evento setorial do país, com 30 mil visitantes, 317 expositores e US$ 192,8 milhões em contratos firmados durante os três dias de evento.
O relatório traz ainda um panorama detalhado dos principais segmentos produtivos. A carne de frango segue como carro-chefe das exportações, com consumo interno per capita de 45,5 quilos. A ração representa o maior custo (66,8%), seguida pela genética (15,6%). Já a suinocultura registrou estabilidade produtiva e consumo de 18,6 quilos per capita, com 73% dos custos concentrados na alimentação. O país permanece como um dos líderes globais do setor, tanto em volume quanto em qualidade sanitária.
Na produção de ovos, o Brasil atingiu a marca impressionante de 269 unidades per capita, com destaque para os benefícios nutricionais promovidos pelas campanhas institucionais. O setor de material genético avícola, por sua vez, avançou na exportação de ovos férteis e pintinhos de um dia, graças a investimentos em biosseguridade, rastreabilidade e logística aérea especializada.
A sustentabilidade é outro pilar do relatório. Em 2024, 69% das empresas do setor investiram em energia limpa, mesmo sem subsídios, e 73% adotaram tecnologias de biomassa. A rastreabilidade, o uso racional de antimicrobianos e o cumprimento rigoroso do Código Florestal Brasileiro também são pontos destacados, assim como a localização estratégica da produção fora do Bioma Amazônico — com mais de 80% da avicultura e suinocultura concentradas no Sul e Sudeste.
Para Ricardo Santin, o futuro da ABPA está alinhado à inovação, sustentabilidade e fortalecimento institucional. “Seguiremos firmes na defesa de nossos setores e no fortalecimento da presença brasileira nos mercados globais”, declara. A próxima década promete novos avanços, com o Brasil cada vez mais protagonista no fornecimento de proteína animal segura, sustentável e de alta qualidade para o mundo.

Fonte: ABPA
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