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A escolha do touro e a eficiência na pecuária

Elizabeth Kuhn, Mariana Diniz , Mariana Leão da Cruz , Marcela Kuczynski da Rocha e Júlio Otávio Jardim Barcellos

A escolha criteriosa de um touro é uma das decisões mais estratégicas para o sucesso na pecuária de corte. Essa escolha deve ir além das características físicas do animal e considerar, principalmente, seu potencial genético, uma vez que o touro é responsável por 50% das características transmitidas à progênie. O reprodutor ideal deve estar alinhado às necessidades, objetivos e características do sistema produtivo da propriedade, contribuindo para a melhoria dos índices zootécnicos e econômicos do rebanho.

O melhoramento genético é uma ferramenta essencial nesse processo e utiliza, de forma clássica, duas estratégias principais: a seleção (a escolha de quem permanece no rebanho) e o acasalamento (a forma de utilização do reprodutor). A seleção pode ser natural, quando a própria natureza define quais indivíduos deixam descendentes, ou artificial, quando há interferência no processo. A seleção artificial consiste na escolha dos animais superiores que serão os progenitores da próxima geração, determinando a quantidade e a qualidade dos descendentes e o tempo em que permanecerão ativos na reprodução, por meio do uso de biotecnologias reprodutivas como Inseminação Artificial (IA) e Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF).

Os programas de avaliação genética têm como objetivo fornecer relatórios detalhados sobre o desempenho genético dos animais participantes, utilizando modelos genéticos-quantitativos. Programas como PROMEBO, PAMPLUS, PMGZ, Natura e DeltaGen ajudam o pecuarista a tomar decisões mais assertivas sobre quais os animais devem ser mantidos na reprodução e quais devem ser descartados. Mesmo produtores que não integram esses programas podem se beneficiar por meio da utilização de sêmen de touros já avaliados, utilizando os dados das réguas de DEP (Diferença Esperada na Progênie) disponíveis nos sumários de touros. As DEPs são apresentadas nas unidades de medida específicas de cada característica analisada e indicam variações, sejam elas positivas ou negativas, em relação à população base utilizada na avaliação genética, ou seja, correspondem a estimativas do valor genético de um animal, obtidas a partir de dados de desempenho do próprio indivíduo e de seus parentes. Um bom exemplo de análise prática dessa régua é a DEP negativa para peso ao nascer, ou seja, os bezerros filhos do touro avaliado nascem, em média, mais leves que o peso médio do rebanho, atenuando a ocorrência de partos distócicos.

Figura 1: Adaptado de Vanessa Silva Fernandes/Equipe NESPro/UFRGS

O período de aquisição de reprodutores geralmente antecede a estação de monta. No momento da escolha, o produtor deve considerar os aspectos que o seu sistema de produção necessita, isto é, as características produtivas que precisam ser aprimoradas no seu rebanho. Além disso, os touros selecionados devem apresentar peso compatível (adequado à raça e a idade), bom escore corporal e ausência de problemas locomotores. Outro fator de grande relevância é a adaptação do animal às condições edafoclimáticas da propriedade, sendo que os animais provenientes de regiões com condições semelhantes às da fazenda têm maior probabilidade de desempenho satisfatório, minimizando os prejuízos causados por estresse térmico. Além disso, o temperamento do touro, tamanho do prepúcio e umbigo em raças sintéticas e o perímetro escrotal também devem ser observados. Os reprodutores devem ser adquiridos com exame andrológico que avalie o real potencial reprodutivo do indivíduo, a fertilidade e a capacidade do touro de desempenhar (monta) o seu papel com sucesso, influenciando diretamente na produtividade da criação.

O ideal é optar por reprodutores com DEPs com boa acurácia, garantindo não apenas a eficiência reprodutiva, mas também um avanço genético no rebanho. Isso se traduz em animais mais precoces, com melhor acabamento e rendimento de carcaça. É importante lembrar que a aquisição de um touro é uma decisão com reflexos de longo prazo, dado que um único reprodutor pode deixar mais de 100 descendentes em uma fazenda, e suas filhas continuarão no sistema de cria por anos, influenciando diretamente a base genética do rebanho. Portanto, investir tempo e conhecimento na escolha do touro é investir no futuro do rebanho e na rentabilidade da atividade pecuária.

Figura 2: Equipe NESPro/UFRGS

1-           Bolsista de Iniciação Científica – Acad. Vet., NESPro/UFRGS.

 2-          Zoot. Msc. doutoranda no PPG Zootecnia, NESPro/UFRGS.
 3-          Bolsista de Iniciação Científica – Acad. Zoot., NESPro/UFRGS.
 4-          Med.Vet., Pos-Doc- INCT-Agricultura de Baixa Emissão de Carbono – NESPro/UFRGS.
 5-          Med.Vet., Professor, Coordenador NESPro/UFRGS.

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