A busca por maior produtividade com menor impacto ambiental tem levado a tilapicultura brasileira a aperfeiçoar o uso de ração, água e tecnologia. Na edição 234 da Revista Feed&Food, especialistas apontam que a sustentabilidade depende tanto do desempenho dos peixes quanto do controle de custos e da prevenção de perdas.
Alimentação eficiente protege a margem
O engenheiro agrônomo e pesquisador Omar Jorge Sabbag, da Unesp de Ilha Solteira, afirma que a ração representa, em média, 70% do custo operacional efetivo. Para ilustrar o peso da conversão alimentar, comparou dois cenários: com consumo de 1,3 kg de ração por quilo de ganho de peso, o custo seria de R$ 5,85/kg; com conversão de 1,6, chegaria a R$ 7,20/kg. A diferença de R$ 1,35 por quilo, no exemplo apresentado, também representa maior consumo de insumos.
“Sustentabilidade, portanto, é margem de lucro e vantagem competitiva”, afirma Sabbag. Ele destaca a necessidade de acompanhar a temperatura e o oxigênio dissolvido, pois alterações desses parâmetros comprometem o consumo, o crescimento e a sanidade.
Monitoramento da água e preservação ambiental
Na Represa de Jaguara, em Rifaina (SP), a Fider Pescados associa o cultivo de tilápias à proteção da vegetação nativa e ao monitoramento ambiental. Segundo o diretor Juliano Kubitza, a empresa ampliou de três para 13 os pontos de acompanhamento da qualidade da água na represa e nos afluentes, além de investir na retirada de sedimentos do reservatório.
“Esse acompanhamento nos permite entender melhor o ambiente e agir de forma preventiva, antes que um desequilíbrio comprometa a produção”, explica Kubitza. A companhia relata redução de 2% no consumo de água por quilo de tilápia produzida, obtida com tecnologias de recirculação e reuso.
A empresa também informa ter ampliado sua Área de Preservação Permanente (APP) em 6 mil metros quadrados e plantado mais de mil mudas nativas.
Sanidade e gestão completam a estratégia
O manejo preventivo, a densidade adequada e a biosseguridade ajudam a evitar mortalidade e desperdício de recursos. Na alimentação, ajustar o fornecimento à biomassa e às condições da água reduz sobras e a carga de nutrientes no ambiente. “Quando conseguimos transformar melhor o alimento em crescimento, reduzimos o desperdício e o impacto no meio ambiente”, acrescenta Kubitza.
Para Francisco Medeiros, presidente da PeixeBR, a produção nacional reúne atributos ambientais e econômicos, mas enfrenta entraves externos à propriedade. “Os fatores de perda de competitividade da piscicultura brasileira estão atrelados ao modelo excessivamente regulatório”, avalia.
O avanço da atividade exige combinar conversão alimentar, dados ambientais, sanidade e planejamento financeiro para transformar eficiência produtiva em competitividade.
Confira a matéria completa na edição 234 da Revista Feed&Food.




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