Camila Santos, de Florianópolis (SC)
A Ceva Saúde Animal reuniu especialistas e lideranças do setor no Painel Técnico realizado durante o ACAV 2025 para discutir os rumos da sanidade avícola diante dos novos desafios sanitários, tecnológicos e de mercado. Com uma abordagem estratégica e prática, o encontro reforçou o papel da inovação como diferencial competitivo para a avicultura brasileira.
Abrindo o painel, Branko Alva, diretor da Unidade de Aves da Ceva, destacou que a sanidade avícola de excelência começa com investimento em tecnologia, dados e capacitação técnica. “Estamos em um momento em que a tecnologia está transformando a forma como produzimos e tomamos decisões. Nosso foco é ser protagonistas em soluções que aliem proteção às aves, sustentabilidade e produtividade para o produtor”, afirma.
Ele destacou ainda a atuação da Ceva como parceira da cadeia avícola, trazendo soluções personalizadas para as diferentes realidades regionais do país, inclusive por meio de investimentos em inteligência de dados e suporte técnico contínuo. “Nossa missão é impulsionar a sanidade avícola no Brasil com ciência aplicada, escuta ativa ao campo e inovação acessível.”

Na sequência, Eduardo Loewen, diretor-associado de Serviço Técnico Brasil da Cobb, apresentou uma análise detalhada sobre os desafios sanitários nas granjas de matrizes, reforçando a importância da biosseguridade, monitoramento constante e atuação proativa. “Trabalhar com matrizes é atuar na base de toda a produção. Se falharmos aqui, comprometemos toda a cadeia produtiva”, alerta.
Eduardo abordou aspectos-chave como o controle de micoplasmas, doenças imunossupressoras, salmonelas e vírus respiratórios, apontando que a integração de protocolos sanitários robustos com diagnóstico laboratorial de alta precisão é indispensável para garantir a produtividade das aves e a sanidade do plantel.
Dando sequência ao tema da sanidade preventiva, Felipe Pelicioni, gerente de Marketing Aves de Ciclo Longo da Ceva Saúde Animal Brasil, apresentou a mais recente inovação da empresa para o controle da coccidiose: a vacinação via gel com Immucox-5. A nova tecnologia garante aplicação homogênea, estímulo ao consumo voluntário do gel pelos pintinhos e excelente resposta imune, sem comprometer o bem-estar animal.
“A tecnologia via gel é o futuro da vacinação em aves de ciclo longo. Ela traz eficiência, segurança e praticidade ao manejo, além de atender às exigências do consumidor por alimentos produzidos com menor uso de antimicrobianos”, explica Pelicioni. A vacina contém cinco cepas atenuadas de Eimeria, protegendo contra as principais espécies causadoras da doença em galinhas poedeiras e reprodutoras.

Fechando o painel, Giankleber Diniz, Smart Solution Director Latam da Ceva Saúde Animal, apresentou a tecnologia Genesys — uma inovação revolucionária para a sexagem automática no incubatório, capaz de garantir maior eficiência produtiva e otimizar recursos humanos.
Giankleber iniciou sua apresentação destacando a importância da inovação para a avicultura: “É um prazer estar com vocês para mostrar como a tecnologia está mudando o processo produtivo, especialmente em um momento onde a mão de obra qualificada está cada vez mais escassa.”
Ele ressaltou o cenário atual no Brasil, com mais de 200 incubatórios, dos quais 150 são dedicados à produção industrial, mas que ainda enfrentam desafios na sexagem, pois apenas cerca de 67% da produção é sexada — índice abaixo de outras regiões da América Latina.
O diretor explicou que o processo manual de sexagem é extremamente dependente da habilidade e resistência do operador, além de representar um risco biológico por manipular todos os pintinhos. “Não é simples sexar acima de 2.500 pintinhos por hora com alta precisão. É uma tarefa desgastante, sujeita a variabilidade, absenteísmo e custos altos com mão de obra, que muitas vezes já é escassa e cara.”
Foi então que ele apresentou a Genesys, solução tecnológica desenvolvida pela Ceva — fruto da aquisição de algumas empresas no passado, da Ecat, ID e Desvac— projetada para automatizar a sexagem com altíssima precisão e velocidade.
O equipamento Genesis ocupa um espaço compacto (5 metros quadrados) e conta com uma estrutura que inclui esteiras e até 12 câmeras que capturam até 150 fotos de cada asa dos pintinhos em menos de um segundo. Esses dados são processados em supercomputadores integrados para determinar com mais de 97% de eficácia se o pintinho é macho ou fêmea, e então, por meio de jatos de ar comprimido, ele é direcionado para a esteira correta.

Giankleber detalhou ainda a versatilidade da Genesis, que pode ser integrada a qualquer tipo de incubatório — desde os mais manuais até os totalmente automatizados — e permite operação contínua mesmo que algum canal precise ser temporariamente desligado. Isso garante flexibilidade e confiabilidade na operação.
Outro benefício destacado foi a redução de até 70% da mão de obra na sala de sexagem, impactando diretamente nos custos e na eficiência do processo. “Com a Genesis, conseguimos tirar a variabilidade do processo, aumentar a uniformidade dos lotes, diminuir perdas por contaminação e, principalmente, garantir um produto final com melhor consistência, otimizando a rentabilidade da indústria.”
Giankleber finalizou convidando os participantes a conhecerem o equipamento de perto no estande da Ceva, ressaltando que a empresa oferece suporte completo para personalizar o projeto de acordo com as necessidades de cada incubatório, promovendo a integração da sexagem automática com o sistema de vacinação e contagem de pintinhos, gerando ganhos de produtividade e sanidade.
A matéria completa sobre o equipamento Genesys está disponível na edição de julho da revista Feed&Food.
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