Os principais desafios que impactam a cadeia brasileira de proteína animal estarão em pauta durante a TecnoCarne 2026. Considerada uma das mais importantes feiras do setor, o evento promoverá uma série de debates sobre eficiência produtiva, regulamentação, inovação e tendências de mercado por meio da Arena de Conteúdo, espaço dedicado à troca de conhecimento entre especialistas, executivos e profissionais da indústria.
A programação ocorrerá entre os dias 16 e 19 de junho, no São Paulo Expo, reunindo representantes de diferentes segmentos da cadeia produtiva para discutir os fatores que influenciam a competitividade do setor em um momento de expansão da produção e das exportações brasileiras.
Segundo a gerente de negócios da TecnoCarne, Marina Cappi, a consolidação do Brasil como um dos principais fornecedores globais de proteína animal exige uma reflexão constante sobre os gargalos e oportunidades da atividade.
“Atingir um patamar histórico como este vem acompanhado de novos desafios que precisam ser colocados em pauta para que as empresas possam se preparar e tomar decisões com mais segurança. Sustentar essa posição exige que a indústria dê respostas concretas às questões que ainda travam o seu crescimento”, afirma.

Eficiência da cadeia será tema de análise
Entre os destaques da programação está a apresentação do estudo “Do pasto ao prato: uma análise da eficiência nos elos produtivo, industrial e comercial”, conduzido pelo pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), Thiago Bernardino de Carvalho.
“Cerca de 80% do custo de produção de um frigorífico está relacionado à aquisição do boi gordo. Isso mostra que a eficiência operacional da indústria depende profundamente do que acontece antes e depois da planta industrial”, observa.
Após a apresentação, Carvalho também moderará o painel “Indústria e seus Indicadores: A Indústria Frigorífica no Passado, Presente e Futuro”, que discutirá os movimentos estruturais do setor e os desafios para empresas de diferentes portes.
De acordo com o pesquisador, a concentração de mercado observada nos últimos anos reflete a busca por ganhos de escala e eficiência operacional. Ainda assim, ele avalia que frigoríficos regionais mantêm espaço relevante por sua proximidade com fornecedores e mercados locais.
Ambiente regulatório e fiscalização entram em debate
Outro tema de destaque na Arena de Conteúdo será o projeto Frigorífico Legal, que abordará os desafios regulatórios e operacionais enfrentados pelas indústrias de abate e processamento de carnes.
A consultora Lara Bonfim, especialista em operações frigoríficas, participará das discussões sobre fiscalização, inspeção sanitária e adequação das plantas industriais às exigências do mercado.
Segundo ela, a heterogeneidade do setor brasileiro continua sendo um dos principais desafios para o avanço da atividade. “O Brasil reúne algumas das plantas frigoríficas mais modernas do mundo, mas ainda convive com índices relevantes de abate clandestino. Essa diferença entre realidades é um dos maiores desafios quando se fala em fiscalização e segurança dos alimentos”, avalia.
A especialista também aponta a escassez de auditores fiscais como um gargalo para o funcionamento das unidades de processamento. Nesse contexto, a Portaria 861/2025 surge como uma alternativa para ampliar a capacidade de inspeção, permitindo a atuação de médicos-veterinários vinculados a empresas credenciadas pelo Ministério da Agricultura. Segundo Bonfim, a medida busca dar mais eficiência ao sistema sem substituir o papel dos fiscais federais.
Integração da cadeia produtiva
Além dos debates técnicos, a edição deste ano da TecnoCarne reforça a integração entre os diferentes elos da indústria de alimentos ao ocorrer simultaneamente à Fispal Tecnologia.
Com um único credenciamento, os visitantes terão acesso às duas feiras, que reunirão soluções voltadas ao processamento, embalagem, refrigeração, automação industrial, ingredientes, logística e gestão.
Ao todo, os eventos ocuparão uma área de 58 mil metros quadrados, com mais de 500 expositores e expectativa de receber cerca de 48 mil visitantes.
A proposta é oferecer uma visão abrangente das transformações que estão moldando o futuro da cadeia de proteína animal, conectando tecnologia, eficiência operacional, segurança dos alimentos e competitividade em um ambiente cada vez mais exigente e globalizado.
Fonte: Tecnocarne, adaptado pela equipe da Feed&Food
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