A Confederação Brasileira de Veterinários Especialistas em Suínos (ABRAVES-SP) realizou nesta quarta-feira (09) em Pirassununga (SP), o 6º Encontro Técnico. O evento reuniu especialistas para discutir “Fluxo de produção: estratégias para promover a sustentabilidade do negócio”, tema essencial para o futuro da suinocultura.
A sustentabilidade na suinocultura depende de um olhar integrado sobre todas as etapas do processo produtivo. Manejo, nutrição, consumo de água e energia, sanidade, gestão de dejetos e aproveitamento de subprodutos estão diretamente relacionados à eficiência da atividade. Nesse contexto, estratégias de gestão e tecnologias aplicadas ao fluxo de produção podem contribuir para reduzir perdas, otimizar recursos e melhorar o desempenho ambiental e econômico das granjas.
Destaques técnicos
“A base do fluxo: como a fêmea define a sustentabilidade do sistema” foi o tema inicial trazido por Caio Abércio da Silva, professor e pesquisador na área de zootecnia. A fêmea, segundo ele, é um dos principais pontos de partida para um sistema de produção de suínos mais eficiente e sustentável. Em sua apresentação, Caio Abércio da Silva destacou que as características e o desempenho das matrizes têm impacto direto sobre todo o fluxo produtivo, desde a reprodução até os resultados obtidos na terminação. “Uma fêmea mais eficiente, capaz de produzir e desmamar um maior número de leitões com qualidade, contribui para melhor aproveitamento de instalações, mão de obra, alimentação e demais recursos envolvidos na produção”, disse.
Silva apontou ainda que, dessa forma, decisões relacionadas à seleção, manejo e desempenho reprodutivo das matrizes podem determinar não apenas a produtividade da granja, mas também a eficiência no uso dos recursos e a sustentabilidade econômica e ambiental do sistema.

Em outro destaque, “Leitões leves na creche: o efeito dominó que compromete todo o sistema” foi a palestra do zootecnista Vinícius Cantarelli. O peso dos leitões ao chegar à creche é um dos fatores que pode determinar o desempenho de toda a cadeia produtiva. Em sua palestra, Cantarelli chamou a atenção para o efeito dominó provocado pela entrada de animais leves nessa fase: menores pesos iniciais podem resultar em maior dificuldade de adaptação, desempenho inferior e necessidade de mais tempo para que os animais atinjam o peso de abate. “Esse impacto se estende às etapas seguintes, comprometendo a eficiência do uso das instalações, da alimentação e da mão de obra. Por isso, estratégias que favoreçam o bom desenvolvimento dos leitões desde o nascimento e garantam maior peso e uniformidade na chegada à creche são fundamentais para melhorar o fluxo de produção e contribuir para a sustentabilidade do sistema”, pontuou.

O médico-veterinário Antônio Leomar Eugênio debateu o “Sistema em bandas: organizando o fluxo para destravar eficiência, biosseguridade e resultado”. Eugênio abordou o sistema como uma estratégia para organizar o fluxo de produção e tornar a suinocultura mais eficiente. “A proposta permite estruturar o manejo dos animais em grupos e em períodos previamente definidos, favorecendo a organização das atividades, o melhor aproveitamento das instalações e da mão de obra e maior controle sobre as etapas produtivas”, disse. “Além dos ganhos de eficiência, o modelo pode contribuir para fortalecer a biosseguridade, ao facilitar a adoção de medidas como vazio sanitário, limpeza e desinfecção entre os lotes. Com um fluxo mais previsível e organizado, o sistema em bandas se apresenta como uma ferramenta para melhorar o desempenho e potencializar os resultados da produção”, destacou.
O gerente executivo de Agropecuária Edilson Caldas discutiu “A importância das pirâmides sanitárias nas fases de crescimento e terminação”, destacando como a organização sanitária do sistema pode influenciar diretamente o desempenho dos animais e a eficiência da produção. A abordagem reforçou a necessidade de estratégias integradas de prevenção, monitoramento e controle sanitário para reduzir desafios ao longo do ciclo produtivo. “Ao manter diferentes níveis da produção alinhados em torno de protocolos e objetivos sanitários, é possível minimizar impactos sobre o ganho de peso, a conversão alimentar e a uniformidade dos lotes, contribuindo para um fluxo mais estável, previsível e eficiente”, disse.
De acordo com o Presidente da ABRAVES-SP, Luís Guilherme de Oliveira, a sustentabilidade não começa no fim da produção, ela está presente em cada decisão tomada dentro da granja. “Na suinocultura, transformar recursos em produtividade sem aumentar a pressão sobre o meio ambiente exige planejamento, eficiência e inovação”, afirmou. “É nesse equilíbrio que surgem estratégias capazes de repensar o fluxo de produção, reduzir desperdícios e construir uma atividade mais competitiva e sustentável”, destacou.



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