A comparação entre os levantamentos do Cepea divulgados nesta semana (11/12) e na semana passada (04/12) evidencia movimentos distintos no mercado suinícola brasileiro: enquanto o cenário externo apresentou forte deterioração, o mercado interno manteve estabilidade nos preços do suíno vivo.
Exportações: piora significativa na semana atual, no informativo desta semana (11/12), o Cepea destaca que os embarques de carne suína sofreram queda expressiva de 26,3% entre outubro e novembro, o maior recuo mensal desde dezembro de 2015. O volume exportado em novembro 105,2 mil toneladas é o menor desde janeiro de 2025 e ficou abaixo de novembro de 2024, quando foram embarcadas 111,5 mil toneladas.
Na semana anterior (04/12), a análise do Cepea focava principalmente na estabilidade dos preços internos e mencionava uma demanda externa aquecida, impulsionada pela interrupção dos embarques da Espanha após casos de PSA. O relatório de 11/12, no entanto, mostra que, apesar desse potencial ganho de mercado, o mês de novembro registrou forte retração.
Desempenho anual ainda é positivo, apesar do recuo mensal acentuado, o acumulado do ano segue acima de 2024: até novembro, o Brasil exportou 1,35 milhão de toneladas, superando o total exportado em todo o ano anterior (1,33 milhão de toneladas). Esse dado não aparecia no levantamento da semana passada, que não trazia comparações anuais consolidadas.

Abates: recorde histórico no 3º trimestre, outra novidade trazida na atualização de 11/12 são os dados de abate do IBGE analisados pelo Cepea. O terceiro trimestre de 2025 registrou o maior volume da série histórica, com quase 1,5 bilhão de quilos produzidos entre julho e setembro. Em relação ao trimestre anterior, o crescimento foi de 5,3%, e frente ao mesmo período de 2024, de 6,1%. Esse indicador não constava no boletim de 04/12 e reforça a pressão de oferta sobre o setor.
Preços internos: estabilidade mantida, no levantamento de 04/12, o Cepea já indicava que os preços do suíno vivo permaneciam estáveis na casa dos R$ 8/kg desde o início de outubro em São Paulo e desde meados de setembro em Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Santa Catarina.
A atualização desta semana não modifica esse cenário: os preços seguem estáveis, sustentados pelo equilíbrio entre oferta e demanda por animais para abate. Segundo agentes consultados pelo Centro de Pesquisas, esse patamar indica possível rentabilidade positiva ao produtor, ao mesmo tempo em que a indústria mantém ritmo de vendas na ponta final.
Oportunidade externa mencionada somente na semana passada, o levantamento de 04/12 trouxe ainda um ponto que não aparece no boletim de 11/12: a interrupção das exportações espanholas após registros de PSA. Pesquisadores apontaram que esse fato pode abrir espaço adicional para o produto brasileiro cenário que, à luz da forte queda mensal registrada, ainda não se materializou nos números consolidados de novembro.
Por: Camila Santos
Fonte: Cepea, adaptado pela equipe Feed&Food
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