A Associação Paulista dos Criadores de Suínos (APCS) promoveu, nesta quinta-feira (3), uma reunião voltada à análise do mercado global de carne suína e de seus reflexos sobre a suinocultura brasileira, especialmente no estado de São Paulo. O encontro reuniu representantes do setor para discutir oportunidades de exportação, competitividade e os principais desafios que podem impactar a atividade.
Segundo o presidente da APCS, Valdomiro Ferreira Junior, a iniciativa faz parte da estratégia da entidade de ampliar o acesso dos produtores a informações que contribuam para a tomada de decisões. “Dentro da filosofia de oferecer aos nossos associados informações sobre o mercado de suínos, hoje tivemos a oportunidade de entender o que está acontecendo no mercado externo de proteína animal”, afirmou.
O agronegócio vem transformando o Brasil em uma potência mundial na produção de alimentos, na disponibilidade de água e na preservação ambiental — apesar daqueles que insistem em afirmar o contrário, destaca Ferreira Junior. “Durante muito tempo, ouvimos que o Brasil era o país do futuro. Hoje, podemos afirmar que, sem o produtor rural brasileiro, o mundo enfrentaria a escassez de inúmeros produtos de origem animal e vegetal. O Brasil do presente ajudará a garantir o futuro da alimentação da humanidade”, pontua.
Ferreira destaca ainda que o Brasil país carrega o DNA da terra, da produtividade, da tecnologia e da capacidade de gerar emprego e renda. “No campo, uma mesma atividade pode proporcionar trabalho, dignidade e sustento para toda uma família. Isso tem nome: desenvolvimento e responsabilidade social. Apesar de toda a sua importância, o setor rural ainda sofre inúmeras injustiças decorrentes de políticas públicas inadequadas. Essa visão distorcida começa, inclusive, nos bancos escolares e em materiais educacionais que, muitas vezes, apresentam o homem do campo como inimigo do meio ambiente”, afirma. “O agricultor brasileiro é um dos maiores preservacionistas da nossa sociedade. É ele quem produz alimentos, protege os recursos naturais e mantém viva a terra que sustenta o país”, avalia.
Brasil ganha espaço no mercado internacional
Durante o encontro, Estevão Carvalho, diretor executivo de Mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), destacou a posição de relevância ocupada pelo Brasil no comércio internacional de carne suína.
De acordo com Carvalho, o país é atualmente o terceiro maior exportador de carne suína do mundo, respondendo por 14,6% das exportações globais. Na produção, o Brasil ocupa a quarta posição, com participação de 4,7% da produção mundial.
O executivo ressaltou ainda a diversificação dos destinos da carne suína brasileira. Atualmente, o Brasil exporta para 94 países e, em 2026, ampliou o acesso a mercados como Antígua e Barbuda, Cuba, El Salvador, Nova Zelândia, Palau, Paraguai, Singapura e Vietnã.
Para Carvalho, a abertura de novos mercados contribui não apenas para o crescimento das exportações, mas também para o equilíbrio da oferta e dos preços no mercado doméstico. “O aumento dos mercados promove o equilíbrio do mercado interno. É bom para os exportadores e também para equilibrar os preços em nosso país”, avaliou.

Status sanitário pode ampliar acesso a mercados estratégicos
Entre os fatores que podem favorecer a expansão das exportações brasileiras está o reconhecimento internacional do país como área livre de febre aftosa sem vacinação.
Segundo Estevão Carvalho, esse avanço, inclusive com o reconhecimento pela China, tende a facilitar o acesso da proteína animal brasileira a importantes mercados consumidores.
O executivo citou Japão e Coreia do Sul como destinos estratégicos para a carne suína brasileira. Segundo ele, estão previstas reuniões nos dois países nas próximas semanas. “Vamos melhorar o acesso da carne suína brasileira, como Japão e Coreia do Sul. Temos uma reunião nestes dois países em duas semanas e são dois mercados muito interessantes para o Brasil”, destacou.
Logística, insumos e sanidade estão entre os pontos de atenção
Apesar do cenário de expansão internacional, o setor ainda acompanha uma série de fatores que podem limitar a competitividade da cadeia produtiva.
Entre os principais pontos de atenção destacados durante a reunião estão os entraves logísticos, especialmente relacionados à infraestrutura portuária e rodoviária; a disponibilidade de insumos, com atenção para o mercado de grãos; e os desafios relacionados à mão de obra, como o elevado turnover e a necessidade crescente de automação nas operações.
No campo sanitário, a Peste Suína Africana (PSA) permanece como uma das principais preocupações para a suinocultura mundial, diante do potencial de impacto sobre a produção e o comércio internacional.
O setor também precisa monitorar os efeitos das tensões geopolíticas, incluindo conflitos no Oriente Médio e outras regiões, além das políticas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos.
Nutrição mantém vantagem competitiva brasileira
Mesmo diante dos desafios, o Brasil mantém uma posição competitiva no mercado internacional, especialmente em função da estrutura de custos da produção. “Somos muito competitivos, e isso passa muito pelo custo da nossa nutrição animal”, avaliou Estevão Carvalho. “Para a suinocultura brasileira, a ampliação dos destinos de exportação representa uma oportunidade de diversificação e de fortalecimento da cadeia, enquanto a evolução do cenário sanitário e a redução de gargalos estruturais serão determinantes para sustentar a competitividade do país no comércio global de carne suína”, concluiu.



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