Os preços do suíno vivo e da carcaça suína registraram em setembro a primeira alta mensal de 2026, após sucessivas quedas desde janeiro. A reação foi favorecida pela menor oferta de carne e pelo aumento da demanda doméstica, mas não impediu uma terceira redução consecutiva no poder de compra do suinocultor paulista. Os dados integram o Boletim do Suíno de setembro, divulgado nesta sexta-feira (16) pelo Cepea/Esalq-USP.
Na praça SP-5, que reúne Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba, o suíno vivo posto na indústria teve preço médio de R$ 5,06/kg, alta de 1,9% frente a agosto. Já a carcaça especial alcançou R$ 7,73/kg no atacado da Grande São Paulo, avanço de 4,4%.
Oferta menor impulsiona preços
Segundo o Cepea, a procura pela proteína aumentou especialmente após o dia 10, enquanto produtores reduziram o peso dos animais abatidos para conter a oferta. No Paraná, o peso médio foi de 116,2 quilos em setembro; em Minas Gerais, 114,4 quilos. Apesar das altas do vivo e da carcaça, o lombo suíno recuou 3,6%, para R$ 15,31/kg.
Insumos pressionam relação de troca
O farelo de soja chegou a R$ 2.127,80 por tonelada em Campinas (SP), valorização mensal de 12,6%. O milho teve média de R$ 69,90 por saca de 60 quilos, aumento de 4,5%. Ambos subiram mais que o suíno vivo.

Com a venda de um quilo do animal, o produtor paulista conseguiu comprar 2,38 quilos de farelo de soja ou 4,34 quilos de milho, reduções de 9,7% e 2,5% em relação a agosto. Segundo o Cepea, foram as relações de troca menos favoráveis desde janeiro de 2023 e maio de 2022, respectivamente.
Exportações avançam no acumulado
Conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apresentados no boletim, o Brasil embarcou 133,5 mil toneladas de carne suína em setembro, alta de 3% frente a agosto, mas queda de 11,1% ante setembro de 2025. A receita somou US$ 287,3 milhões, retração anual de 21,6%.
De janeiro a setembro, os embarques chegaram a 1,179 milhão de toneladas, volume recorde para o período e 6,3% superior ao de 2025. As Filipinas lideraram as compras em setembro, com 25,7 mil toneladas.
No atacado paulista, a carcaça suína perdeu competitividade relativa frente à bovina, mas ganhou frente ao frango resfriado, cuja média foi de R$ 7,68/kg. A diferença entre suíno e frango ficou em R$ 0,05/kg, a menor em 22 anos.



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