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Sucessão familiar exige diálogo e planejamento para garantir futuro do agronegócio

Durante a Segunda Feira da Avicultura de Maringá, especialistas destacaram os desafios jurídicos e emocionais do processo sucessório e defenderam a quebra de tabus para preservar o legado das famílias rurais.

Sucessão familiar

Caroline Mendes, de Maringá (PR)

A continuidade dos negócios no campo passa, inevitavelmente, pela sucessão familiar. O tema, muitas vezes cercado de tabus e conflitos, foi amplamente debatido durante a Segunda Feira da Avicultura de Maringá em uma mesa-redonda que reuniu os advogados Letícia Suave, da Frederich Minache Advogados, e Rafael Sandri, da Sandri Advocacia.

Ao abrir o debate, Sandri destacou que preparar a próxima geração é, acima de tudo, um ato de amor. Para ele, a sucessão não se resume a questões patrimoniais, mas envolve alinhar expectativas e valores entre diferentes gerações. “Hoje, temos avós, pais e filhos convivendo e atuando juntos no mesmo negócio. Esse encontro de mundos, com experiências e visões tão distintas, é um dos maiores desafios”, afirmou.

O advogado lembrou ainda que o perfil dos jovens mudou, tornando a continuidade ainda mais complexa. “A nova geração valoriza experiências e flexibilidade, muitas vezes em detrimento da aquisição de patrimônio. Isso gera um choque cultural com quem construiu sua vida em busca de estabilidade e acúmulo de bens”, pontuou.

Sucessão familiar
“Quando a família se senta à mesa para conversar sobre futuro, papéis e responsabilidades, a sucessão deixa de ser apenas uma divisão de bens e se torna uma estratégia de preservação do patrimônio e da harmonia familiar” – Letícia Suave, da Frederich Minache Advogado

Já Letícia Suave trouxe números que reforçam a urgência do tema: de acordo com pesquisas, entre 70% e 80% das empresas familiares não chegam à terceira geração. “No Brasil, 70% das propriedades rurais são familiares. Se não enfrentarmos esse assunto, corremos o risco de perder legados inteiros. O problema é que falar de sucessão exige tocar em outro tabu: a morte”, disse.

A advogada ressaltou que o planejamento sucessório pode transformar potenciais conflitos em um processo de fortalecimento. “Quando a família se senta à mesa para conversar sobre futuro, papéis e responsabilidades, a sucessão deixa de ser apenas uma divisão de bens e se torna uma estratégia de preservação do patrimônio e da harmonia familiar”, explicou.

Entre os instrumentos jurídicos que auxiliam nesse processo, os especialistas citaram a criação de holdings familiares, doações planejadas, acordos de sócios e regras claras de governança. Mais do que documentos, no entanto, ambos concordam que o ponto de partida é sempre o diálogo aberto e a clareza sobre os propósitos da família.

“Não basta organizar papéis. É preciso preparar pessoas. Uma sucessão bem planejada não garante apenas a continuidade dos negócios, mas a manutenção do legado e a união entre gerações”, concluiu Sandri.

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