Feed & Food
Mesa de Mercado · CEPEA
Bezerro MSR$ 3.390,78
Bezerro SPR$ 3.182,01
Boi GordoR$ 338,65
Soja PRR$ 127,64
Soja PortoR$ 133,87
MilhoR$ 63,45
Suíno Carc.R$ 8,60
Suíno PRR$ 4,66
Suíno SCR$ 5,00
Suíno SPR$ 5,27
Bezerro MSR$ 3.390,78
Bezerro SPR$ 3.182,01
Boi GordoR$ 338,65
Soja PRR$ 127,64
Soja PortoR$ 133,87
MilhoR$ 63,45
Suíno Carc.R$ 8,60
Suíno PRR$ 4,66
Suíno SCR$ 5,00
Suíno SPR$ 5,27
Publicidade

Salvaguarda chinesa pressiona exportações brasileiras de carne bovina e reforça desafio da diversificação

A decisão da China de impor medidas de salvaguarda sobre as importações de carne bovina acendeu um alerta no setor exportador brasileiro.

O Instituto Biológico certifica o soro fetal bovino brasileiro, autorizando sua exportação para países da União Econômica Euroasiática.

A decisão da China de impor medidas de salvaguarda sobre as importações de carne bovina acendeu um alerta no setor exportador brasileiro. A tarifa total chega a 67% para volumes que ultrapassarem 1,1 milhão de toneladas — sendo 55% adicionais aos 12% já incidentes — e impõe ao Brasil o desafio de ampliar e diversificar seus destinos externos, reduzindo a forte dependência do mercado chinês, é o que aponta o Radar Agro, disponibilizado pelo Itaú BBA.

Segundo o relatório, em 2025, a China respondeu por cerca de 1,7 milhão de toneladas das exportações brasileiras de carne bovina, consolidando-se como o principal destino do produto. Em comparação, os Estados Unidos, segundo maior mercado, importaram pouco mais de 200 mil toneladas de carne in natura no mesmo ano, ainda que também adquiram produtos industrializados do Brasil.

Oferta menor e reorganização dos fluxos globais

As projeções indicam uma retração de aproximadamente 2% na produção brasileira de carne bovina em 2026. Caso o cenário se confirme, a oferta total deve cair cerca de 200 mil toneladas, volume equivalente a aproximadamente um terço da quantidade que precisaria ser redirecionada em um cenário de manutenção das compras chinesas nos níveis recordes de 2025. Após quatro anos consecutivos de elevado descarte de fêmeas, analistas avaliam que essa estimativa de queda pode ser conservadora, com tendência de novas reduções também em 2027 e 2028.

No mercado internacional, a expectativa é de reorganização dos fluxos comerciais. Países concorrentes da América do Sul, como Argentina e Uruguai, receberam cotas para exportação à China superiores aos volumes efetivamente embarcados em 2025. A Argentina, por exemplo, obteve cota de 511 mil toneladas para 2026 e havia exportado 436 mil toneladas até novembro do ano passado. Já o Uruguai, com cota de 324 mil toneladas, exportou 188 mil toneladas no mesmo período.

Nesse contexto, especialistas avaliam que o Brasil poderia ampliar vendas para mercados regionais, como o argentino, permitindo que esses países direcionem uma parcela maior de sua produção às exportações para a China.

No mercado internacional, a expectativa é de reorganização dos fluxos comerciais. Foto: Reprodução.

Oportunidades nos Estados Unidos

Outra alternativa apontada é o mercado norte-americano. Com a retirada de tarifas adicionais e diante da expectativa de aumento do déficit de carne bovina nos Estados Unidos, o Brasil reúne condições para ampliar seus embarques em 2026. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o déficit norte-americano deve alcançar 1,3 milhão de toneladas neste ano, cerca de 100 mil toneladas acima do registrado em 2025.

Impactos no curto prazo e cenário chinês

No curto prazo, até o preenchimento da nova cota chinesa sujeita à tarifa reduzida de 12%, a tendência é de aceleração dos embarques brasileiros para o mercado asiático. Dependendo da dinâmica da oferta ao longo do ano, não se descarta uma pressão adicional sobre os preços do boi gordo, especialmente em períodos de maior volume de abates, como a transição das águas para a seca, entre maio e junho, e o pico dos confinamentos, em outubro e novembro.

A decisão da China ocorre após um ano de 2025 marcado pela estagnação da produção doméstica e em um contexto de expectativa de retração em 2026, segundo dados do USDA. Desde 2019, as importações chinesas de carne bovina vinham crescendo a taxas próximas de 10% ao ano, sustentando um aumento médio anual de cerca de 5% no consumo interno. Com a limitação das importações, esse padrão tende a mudar, o que pode resultar em menor disponibilidade interna e eventual elevação dos preços no mercado chinês.

Efeitos tendem a ser moderados

Analistas avaliam que, mantida a atual política de alocação de cotas pela China e caso o Brasil não consiga aproveitar volumes não utilizados por outros países, será essencial acompanhar a capacidade de redistribuição das exportações brasileiras. Mercados alternativos, como Filipinas, Malásia, Arábia Saudita e Vietnã, apresentam potencial de crescimento, mas ainda possuem capacidade de absorção limitada quando comparados à China.

Apesar dos desafios, a expectativa é de que os impactos finais sejam moderados, em razão da trajetória de redução da oferta brasileira nos próximos anos e das restrições à expansão da produção nos demais países exportadores.

Fonte: Radar Agro – Itaú BBA – Adaptado pela equipe da Feed & Food.

LEIA TAMBÉM:

Como o cenário na Venezuela pode impactar o agronegócio brasileiro

Espanha confirma primeiros casos de Doença de Newcastle desde 2022

Girolando MS fecha 2025 com balanço positivo nas exposições e fortalecimento da pecuária leiteira

Você está em
Texto 100%