A retomada da produção de fertilizantes nitrogenados nas unidades da Bahia e de Sergipe ampliou a oferta interna de ureia e amônia em um momento de instabilidade geopolítica no Oriente Médio. As plantas, que estavam paralisadas desde 2023, voltaram a operar e já alcançam cerca de 90% da capacidade produtiva, contribuindo para reduzir o risco de desabastecimento no agronegócio brasileiro.
Juntas, as duas unidades respondem por aproximadamente 12% da demanda nacional de ureia, insumo essencial para culturas como milho, soja e algodão. A produção está sendo comercializada a granel e em big bags, atendendo estados como Bahia, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo. A amônia produzida é direcionada principalmente ao polo petroquímico de Camaçari (BA) e a indústrias da região.
Especialistas avaliam que o aumento da produção interna ajuda a amortecer oscilações do mercado global. Ainda assim, o Brasil segue dependente das importações, já que mais de 80% da ureia consumida no país é adquirida no exterior. Em 2025, as compras externas somaram 7,7 milhões de toneladas.
O Oriente Médio concentra parcela relevante dessas importações. Considerando fornecedores como Omã, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein, a região respondeu por cerca de 2,7 milhões de toneladas no ano passado, o equivalente a 35% da demanda externa brasileira. A instabilidade envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel amplia a incerteza sobre o fluxo comercial e os preços internacionais.

No campo, o momento é considerado delicado. A relação de troca entre milho e fertilizantes já vinha pressionando o poder de compra do produtor antes da escalada do conflito. A volatilidade cambial e o avanço do petróleo adicionam novos desafios ao planejamento da próxima safra.
A unidade de Sergipe retomou as atividades em dezembro de 2025, com produção diária aproximada de 1.250 toneladas de amônia e 1.800 toneladas de ureia. Já a planta da Bahia, reativada em janeiro de 2026, opera acima de 95% da capacidade, com cerca de 1.300 toneladas diárias de ureia.
Há ainda planos de ampliação da capacidade nacional. A reativação da Araucária Nitrogenados S.A. (Ansa), no Paraná, prevista para o primeiro trimestre de 2026, pode elevar a participação da produção interna para cerca de 20% da demanda nacional. Com a futura entrada da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-3), em Três Lagoas (MS), a expectativa é alcançar até 35% da necessidade doméstica nos próximos anos.
A expansão da produção interna ocorre em um cenário de maior busca por segurança de suprimento, diante da elevada dependência externa e da crescente volatilidade geopolítica.
Fonte: Dados de mercado e informações da empresa, adaptado pela equipe Feed&Food
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