A restrição ao uso da virginiamicina como aditivo melhorador de desempenho está levando a pecuária brasileira a revisar estratégias de nutrição de bovinos. A medida consta da Portaria SDA/MAPA nº 1.617, publicada em 27 de abril de 2026, que também alcança outros antimicrobianos. Conforme esclarecimento do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), os estoques abrangidos pela regra, fabricados ou importados antes da vigência da portaria, podem ser comercializados e utilizados até 23 de outubro de 2026.
Em dietas de alta densidade energética, manter o equilíbrio da fermentação ruminal é essencial para evitar oscilações no consumo e perdas de desempenho. O desafio pode ser ampliado pelo estresse térmico, que afeta a ingestão de matéria seca e o comportamento alimentar dos animais.
Rúmen e estresse térmico em foco
Nesse contexto, a GRASP apresenta o Allivion como uma estratégia nutricional complementar para bovinos. Segundo material técnico assinado por Charles Takeuchi, médico-veterinário e supervisor comercial da empresa, a formulação busca associar mecanismos relacionados ao aproveitamento de fibra e amido, ao equilíbrio ruminal e à resposta dos animais ao calor. Essas são alegações da empresa, e seus efeitos dependem de avaliação nas condições de uso.
Estudo compara monensina e associação de aditivos
Para examinar o desempenho da associação, um estudo apresentado pela GRASP, conduzido no Campanelli Innovation Center, em Altair (SP), comparou duas dietas: uma com monensina e outra com monensina associada ao Allivion. A monensina não consta da lista de substâncias proibidas pela Portaria nº 1.617/2026.
De acordo com os resultados divulgados, a oscilação no consumo de matéria seca foi de 4,9% no grupo com monensina e de 2,7% no grupo que recebeu a associação. As sobras no cocho passaram de 17 para 12 kg de matéria seca por dia, enquanto o consumo de água variou de 33,6 para 40,3 litros por dia.
Na avaliação da eficiência biológica, o grupo com monensina utilizou 150,4 kg de matéria seca para produzir 15 kg de ganho de carcaça. Com a associação, foram 143,5 kg para o mesmo ganho, diferença de 6,9 kg, equivalente a uma redução de aproximadamente 4,6% na quantidade de matéria seca necessária.
Eficiência exige validação técnica
Os números indicam resultados favoráveis à combinação nas condições descritas, mas o material encaminhado não detalha tamanho da amostra, duração do ensaio ou análise estatística. Por isso, não permitem concluir que os mesmos efeitos ocorrerão em todos os sistemas de produção.
Na prática, a adaptação às novas regras exige considerar a composição da dieta, o manejo do cocho, o conforto térmico e a orientação técnica na escolha de aditivos. A busca por eficiência deve combinar desempenho mensurável, segurança nutricional e atendimento à regulamentação.
Confira a matéria completa na edição 234 da Revista Feed&Food.




Nenhuma discussão ainda. Seja o primeiro a comentar.