A recria ainda é um dos pontos de maior vulnerabilidade dentro dos sistemas de produção de bovinos no Brasil. Apesar dos avanços na genética e na nutrição, a fase entre a desmama e a terminação continua sendo marcada por baixa previsibilidade, desafios de manejo e falta de planejamento estruturado.
Para o professor Dr. da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Júlio Barcellos, o primeiro erro começa antes mesmo do desmame e cita que nos Estados Unidos, existe uma programação pré-confinamento. “Teríamos que fazer uma programação pré-desmama, com programas sanitários adequados. Hoje já temos insumos para compensar a ausência da mãe, precisamos compreender um pouco melhor isso. Uma programação da desmama, cuidando aspectos de natureza ambiental e sanitária, para deixar este metabolismo totalmente voltado para o desempenho, a partir de uma dieta apropriada, isso é o primeiro ponto”, mencionou.

Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Foto: Divulgação.
Barcellos também defende que o setor precisa evoluir no controle dos parâmetros produtivos da recria e cita como exemplo o ganho de peso. “Nós precisávamos, assim como no frango, que tem pesos específicos em cada semana, assim poderíamos ter curvas de desenvolvimento para cada objetivo a ser alcançado”, exemplificou.
Já o gerente de Unidade na Agropecuária Nelore Paranã, Hugo Savioli, chamou atenção para fatores externos que impactam diretamente essa fase. “O primeiro grande desafio da recria é o São Pedro”, brincou ao afirmar que o clima afeta o desempenho dos pastos, e isso derruba toda a expectativa de ganho de peso.
Para ele, a saída é investir em fertilidade de solo e buscar pastos mais longevos e nutritivos. “Se a gente investir em fertilidade de solo para ter pastos mais longevos e com mais qualidade, obviamente nós vamos fazer uma arroba produzida a pasto mais barata”, afirmou.

Agropecuária Nelore Paranã. Foto: Divulgação.
Savioli também destacou que a recria precisa ser acelerada se a meta for entregar bois jovens e pesados ao confinamento. “Antes, um boi chegava com 15 arrobas aos 3 anos. Hoje, queremos isso aos 20 meses”, frisou e comentou que isso só é possível com recria intensiva bem gerida. Nesse contexto ele disse que surge outra questão, a de que muitos ainda não medem o básico, nem envolvem seus gerentes ou colaboradores na estratégia, o que torna essa falta de gestão mais um desafio da recria.
A temática foi amplamente debatida durante o Encontro de Confinamento e Recriadores da Scot Consultoria, realizado em Ribeirão Preto (SP), entre os dias 8 e 11 de abril. O evento reuniu especialistas, produtores e agentes do setor para discutir os principais desafios e oportunidades do setor.
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