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Queda nos preços da soja e do milho alivia custos da indústria de alimentos

Relatório da ABIA mostra crescimento expressivo da produção de grãos e impactos diretos nos custos da indústria de alimentos

milho soja

Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br

O mais recente levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) aponta um cenário favorável para o abastecimento da cadeia alimentar, com destaque para a elevada produção de milho e soja. As duas principais commodities agrícolas da indústria registraram comportamentos distintos nos preços em junho, com impactos relevantes no planejamento industrial.

O milho apresentou recuo de 7% nos preços em junho, ainda que mantenha alta de 17,8% em 12 meses. A queda recente reflete boas condições climáticas, avanço da colheita da segunda safra e maior pressão dos compradores diante da limitação da capacidade de armazenagem. A produção brasileira foi estimada em 132 milhões de toneladas — um crescimento de 14,3% em relação à safra anterior — impulsionada pelo aumento da produtividade e da área plantada.

Relatório destaca que a queda nos preços das commodities contribuiu para a estabilidade da inflação dos alimentos ao consumidor

Já a soja, mesmo com leve alta de 0,7% nos preços em junho, acumula queda de 3,7% no ano. A estimativa de produção nacional é de 169,5 milhões de toneladas, consolidando-se como a principal cultura agrícola do país. A oleaginosa abastece cadeias como ração, óleo vegetal e biodiesel. No cenário internacional, a produção global deve chegar a 422 milhões de toneladas, segundo o USDA, com destaque para o crescimento na Ucrânia. O aumento da demanda nos EUA, puxado por propostas de ampliação da mistura de biodiesel, também tem influenciado os preços internacionais.

O óleo de soja, por sua vez, segue tendência de alta. No Brasil, a valorização foi de 2,2% em junho e 29,4% em 12 meses, estimulada pelo aumento da mistura obrigatória de biodiesel (B15). A produção nacional está projetada em 11,4 milhões de toneladas, com o consumo interno estimado em 9,87 milhões e exportações de 1,4 milhão de toneladas.

O desempenho positivo das safras, aliado à estabilidade ou queda nos preços, tem favorecido o custo de produção da indústria de alimentos, que depende diretamente dessas matérias-primas. A ABIA reforça, no entanto, que fatores como estoques globais apertados e o ritmo da demanda externa ainda exigem monitoramento constante por parte das empresas.

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