A Gran Corte anunciou sua primeira política pública de bem-estar animal voltada à produção de suínos. O documento reúne compromissos que vinham sendo discutidos há meses com organizações da sociedade civil e estabelece metas para a cadeia produtiva.
Com a publicação da política, uma campanha pública que seria realizada para cobrar a adoção das medidas foi cancelada. Para a Sinergia Animal, a iniciativa representa um avanço para a suinocultura brasileira ao transformar compromissos discutidos anteriormente de forma privada em metas públicas, que poderão ser acompanhadas por consumidores, clientes, investidores e demais públicos de interesse.
Segundo a organização, no entanto, alguns pontos considerados relevantes para a evolução das práticas de bem-estar animal ainda não foram contemplados na política.
“Celebramos esse anúncio porque ele representa uma mudança concreta para milhares de animais e mostra que o diálogo funciona. Mas compromissos públicos não são um ponto final, eles são um ponto de partida”, afirma Cristina Diniz, diretora-geral da Sinergia Animal no Brasil.

Metas para a produção de suínos
Entre os principais compromissos anunciados pela Gran Corte estão a eliminação da castração cirúrgica sem anestesia e analgesia até 2028 e a ampliação do sistema “cobre e solta” em novas unidades e ampliações.
A empresa também prevê a expansão gradual do alojamento coletivo para matrizes suínas, além da manutenção de práticas como o enriquecimento ambiental. A política estabelece ainda a publicação periódica de informações sobre a evolução das metas.
Para a Sinergia Animal, a iniciativa acompanha um movimento observado no mercado de proteínas animais, no qual o bem-estar animal passou a ganhar espaço nas estratégias de sustentabilidade e gestão de riscos das empresas.
Transparência na cadeia
A organização destaca que a divulgação pública dos compromissos permite estabelecer parâmetros para o acompanhamento da evolução das práticas adotadas pela empresa. “A publicação de uma política de bem-estar animal por uma empresa é algo positivo para toda a cadeia produtiva, porque cria previsibilidade, transparência e incentiva uma evolução contínua e sistêmica das práticas adotadas”, afirma Cristina.
Pontos ainda em discussão
Apesar dos avanços, a Sinergia Animal aponta que alguns temas continuam em debate com a empresa. Entre eles estão o estabelecimento de metas para o uso não terapêutico de antimicrobianos e a evolução das práticas relacionadas ao manejo de caudas, com foco na prevenção da caudofagia por meio de melhorias de manejo e bem-estar.
Segundo a organização, essas questões foram apresentadas durante as negociações como complementações para ampliar a abrangência da política, mas ainda não foram incorporadas à versão publicada.
Implementação será acompanhada
Com a divulgação da política, a Gran Corte passa a integrar o grupo de empresas brasileiras que assumiram compromissos públicos relacionados ao bem-estar de suínos.
Agora, o foco passa a ser a implementação das medidas e o acompanhamento dos resultados. A Sinergia Animal afirma que continuará em diálogo com a empresa e pretende monitorar sua evolução por meio de iniciativas como o Relatório Porcos em Foco, que avalia políticas e práticas de bem-estar animal entre empresas da cadeia de carne suína no Brasil. “Reconhecer avanços é fundamental para incentivar mudanças. Mas o verdadeiro impacto acontece quando esses compromissos saem do papel e se refletem na vida dos animais. Celebramos essa conquista sabendo que ela não encerra a conversa, ela inaugura uma nova fase de acompanhamento, transparência e evolução”, conclui Cristina.



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