O controle da temperatura durante a incubação é estudado como estratégia para preparar galinhas poedeiras para enfrentar o calor após a eclosão, mas os resultados dependem do momento e da intensidade da exposição. Pesquisadoras da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) avaliam a programação térmica, técnica que aplica estímulos controlados aos embriões em fases específicas do desenvolvimento.
Segundo Sarah Sgavioli, professora do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal da PUCPR, temperaturas elevadas podem reduzir o consumo de ração, a produção e a qualidade dos ovos. A programação térmica busca estimular adaptações fisiológicas e epigenéticas para “atenuar os impactos do calor excessivo pós-eclosão”, explica. Trata-se, porém, de uma estratégia em investigação, não de um protocolo universalmente validado.
Temperatura e momento da exposição
Enquanto a incubação convencional mantém o ar entre 37,5°C e 37,8°C, protocolos experimentais aplicam elevações intermitentes próximas de 1,5°C. Lívia Costa Silva, estudante da PUCPR, explica que os efeitos variam conforme a fase embrionária, a intensidade e a duração do tratamento.
Ela cita estudos que não identificaram alterações significativas na eclodibilidade, ou seja, na proporção de ovos que eclodem. “Esses estudos reforçam a hipótese de que o embrião possui capacidade de realizar ajustes capazes de preservar o desenvolvimento embrionário e fetal”, afirma.
Resultados diferentes exigem cautela
A ausência de queda na eclosão não significa que toda elevação térmica seja segura. Segundo Lívia, pesquisas com as linhagens Dekalb White, Hisex White e Isa Brown identificaram redução do peso das aves após a eclosão, desconsiderado o saco vitelino, em tratamentos que alcançaram temperaturas de casca próximas de 38,9°C a 39°C.
Por outro lado, um estudo com estímulo de 0,7°C acima da referência, entre o quarto e o sétimo dia de incubação, observou alterações no desenvolvimento muscular embrionário. Os resultados reforçam a importância de diferenciar protocolos e indicadores avaliados.
Meta-análise investiga janela crítica
Maria Eduarda Vignoli Nabhan, também estudante da PUCPR, relata que resultados preliminares de uma meta-análise não apontaram diferenças significativas nas taxas de eclosão nem no peso pós-eclosão, com ou sem saco vitelino, na comparação geral com a incubação convencional.
A análise, entretanto, identificou duração e fase de exposição como fatores relevantes para explicar diferenças entre estudos. “Os efeitos da programação térmica dependem do dia embrionário em que o estímulo é fornecido, com uma janela crítica de desenvolvimento, entre os dias 7 e 16 de incubação”, ressalta Maria Eduarda.
Para os incubatórios, os achados ajudam a orientar novas pesquisas, mas ainda não demonstram, por si só, melhoria de desempenho ou termotolerância na fase produtiva. A adoção da técnica exige validar seus efeitos em cada condição de criação.
Confira a matéria completa na edição 233 da Revista Feed&Food.




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