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Pressão nos preços marca o cenário para milho e soja no segundo trimestre de 2025

Recomposição dos estoques globais, câmbio valorizado e incertezas nas tarifas entre EUA e China afetam competitividade brasileira

milho soja

Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br

O segundo trimestre de 2025 foi marcado por desafios significativos para os mercados de milho e soja no Brasil. Ambos os grãos vêm enfrentando uma combinação de fatores que têm pressionado os preços no mercado interno, apesar da manutenção de fundamentos sólidos em termos de demanda.

No caso do milho, o preço do Indicador Esalq/Cepea recuou 23% desde março, impactado por uma mudança relevante nos fundamentos locais, além da valorização do real frente ao dólar, que reduziu a competitividade das exportações brasileiras. As chuvas registradas em abril favoreceram o desenvolvimento do milho safrinha, elevando as projeções de produtividade. Paralelamente, a divulgação da intenção de plantio recorde nos Estados Unidos para a safra 2025/26 também contribuiu para um cenário de maior oferta global, pressionando as cotações internacionais e refletindo no Brasil.

Outro fator relevante foi a confirmação de um foco de gripe aviária no Rio Grande do Sul, o que trouxe instabilidade ao setor avícola — responsável por mais de 60% do consumo doméstico de milho — e colaborou para o recuo nos preços. Ainda assim, o consumo industrial segue aquecido: nos cinco primeiros meses do ano, a produção de etanol de milho alcançou 8,6 milhões de toneladas, uma alta de 17% em relação ao mesmo período de 2024.

A comercialização da safra 2024/25 avançou, com 51% do milho já negociado, segundo o IMEA. Apesar disso, esse volume ainda está abaixo da média dos últimos cinco anos. Com a colheita do milho safrinha avançando, espera-se que os preços sofram novas pressões, agravadas pela expectativa de uma safra recorde nos Estados Unidos, projetada em 402 milhões de toneladas pelo USDA.

Com a colheita do milho safrinha avançando, espera-se que os preços sofram novas pressões, agravadas pela expectativa de uma safra recorde nos Estados Unidos

Para a soja, o cenário também é de baixa nos preços, embora menos acentuada. Em junho, as cotações na Bolsa de Chicago registraram queda de 14% frente ao mesmo mês de 2024. No Brasil, a retração foi mais contida — apenas 3% em Mato Grosso — sustentada por prêmios de exportação positivos. A valorização cambial, por outro lado, contribuiu para a pressão sobre os preços domésticos da oleaginosa.

A perspectiva internacional aponta para a quarta recomposição consecutiva dos estoques globais ao final da safra 2025/26. Esse crescimento é impulsionado principalmente pela produção brasileira, que deve atingir recorde de 172 milhões de toneladas, resultado do aumento de área cultivada e da melhoria da produtividade. No entanto, o crescimento da oferta global ocorre em um momento de instabilidade nos fluxos comerciais internacionais.

As tensões tarifárias entre Estados Unidos e China elevam a incerteza sobre os destinos da soja no segundo semestre. Atualmente, uma tarifa de 10% incide sobre as importações chinesas de soja dos EUA. Caso essa tarifa persista durante o início da colheita norte-americana, é possível que a China opte por ampliar suas compras do Brasil — o que poderia favorecer os prêmios brasileiros. No entanto, um eventual acordo bilateral pode inverter esse cenário e afetar negativamente os preços praticados no mercado interno.

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