Os preços da soja registraram queda ao longo de janeiro tanto no mercado internacional quanto no doméstico, refletindo o avanço da safra sul-americana, a valorização do real frente ao dólar e os desafios climáticos enfrentados durante a colheita. Apesar da pressão sobre as cotações, as exportações brasileiras apresentaram crescimento expressivo no período.
Na Chicago Board of Trade (CBOT), janeiro marcou o segundo mês consecutivo de desvalorização para o grão. O contrato recuou 2,2%, encerrando o mês cotado a US$ 10,52 por bushel. Sem grandes mudanças nos fundamentos, o mercado reagiu principalmente ao bom desenvolvimento da safra brasileira e ao início da colheita, além da conclusão do plantio na Argentina em condições favoráveis. No início de fevereiro, as cotações voltaram a subir após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que trouxeram novos elementos ao cenário internacional.
No mercado interno, o movimento de baixa foi ainda mais intenso. Em Sorriso (MT), uma das principais praças produtoras do país, a soja registrou queda de 10,2% no mês, com média de R$ 105 por saca. No fim de janeiro, com a apreciação do real, as negociações chegaram a ocorrer abaixo de R$ 100 por saca na região e em outras localidades do Mato Grosso. O início de fevereiro manteve a tendência de desvalorização no mercado doméstico, mesmo diante da recuperação observada em Chicago.

A colheita avança, ainda que com dificuldades provocadas pelo excesso de chuvas na região central do país. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), os trabalhos atingiram 17% da área cultivada, com maior avanço no Mato Grosso (47%), seguido por Paraná (14%) e Minas Gerais (13%). A expectativa é de que o ritmo se intensifique ao longo de fevereiro na maior parte das regiões produtoras.
No entanto, já surgem entraves logísticos em algumas rotas de escoamento. No Mato Grosso, os fretes registraram altas superiores a 10% na segunda quinzena de janeiro, pressionados pelo aumento da demanda por transporte no pico da safra.
No comércio exterior, os números confirmam o ritmo aquecido. Em janeiro, o Brasil embarcou 1,9 milhão de toneladas de soja, volume 75% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado. Para fevereiro, o line-up aponta exportações de 11,8 milhões de toneladas, frente a 6,4 milhões de toneladas embarcadas em fevereiro do ano anterior.
Fonte: Itaú BBA, adaptado pela equipe da Feed & Food.
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